Notícias | 10 de julho de 2026 | Fonte: Reescrita com IA com informações do Valor Econômico

Motoristas de aplicativo e entregadores entram no radar das seguradoras

De acordo com reportagem publicada pelo Valor Econômico, o mercado de seguros tem intensificado a atenção aos motoristas de aplicativo e entregadores, público que passou a integrar a agenda estratégica das seguradoras em 2026. O movimento é impulsionado pelo crescimento do número de trabalhadores de plataformas digitais e pela criação de coberturas específicas voltadas a esse perfil.

Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o setor pode desempenhar um papel relevante na ampliação da proteção financeira desses profissionais, especialmente diante do aumento da informalidade no mercado de trabalho. Em documento divulgado em abril, a entidade destacou que seguros, planos de previdência e títulos de capitalização podem contribuir para oferecer proteção patrimonial e social, além de auxiliar na construção de segurança financeira de longo prazo.

Ainda conforme o Valor Econômico, esse segmento permaneceu por muitos anos pouco atendido pelas seguradoras. A elevada exposição ao risco e o uso intensivo dos veículos dificultavam a oferta de produtos competitivos, tornando as coberturas mais restritas e caras.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 1,7 milhão de pessoas atuavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024, o equivalente a 1,9% da população ocupada no setor privado. A Região Sudeste concentra a maior parte desses trabalhadores, com 888 mil pessoas em 2024, frente a 759 mil em 2022.

De olho nesse mercado, Azul Seguros e Itaú Seguros, empresas do Grupo Porto, passaram a aceitar motoristas de aplicativo em suas carteiras desde abril deste ano.

“Já tínhamos uma demanda reprimida e sabíamos do tamanho do potencial, mas não bastava apenas liberar o produto. Era preciso fazer uma adaptação para sermos competitivos”, diz Jaime Soares, diretor executivo de Auto da Porto Seguro, em entrevista ao Valor Econômico.

Segundo o executivo, estudos realizados pela companhia identificaram que mais de 100 mil motoristas de aplicativo procuraram o grupo em busca de seguro ao longo de um ano. Para tornar a oferta mais competitiva, a empresa realizou ajustes na estrutura de custos, incluindo a gestão de peças e o uso da rede própria de assistência.

Os produtos oferecem diferentes níveis de cobertura, desde proteção contra roubo e furto e assistência 24 horas até seguros compreensivos, além da opção de Responsabilidade Civil Facultativa (RCF), destinada à cobertura de danos causados a terceiros.

Outra seguradora que já atua nesse segmento é a Suhai, que disponibiliza coberturas para carros e motocicletas utilizados em plataformas de mobilidade e entregas.

“Historicamente, esse público era pouco atendido. As principais lacunas estavam na falta de produtos que considerassem o uso comercial do veículo e a alta frequência de utilização, já que os seguros tradicionais não cobriam sinistros ocorridos durante atividades profissionais em aplicativos, deixando motoristas e entregadores desprotegidos”, diz Jorge Martinez, vice-presidente de produtos e precificação da Suhai Seguradora.

Segundo a reportagem, a Suhai oferece coberturas para roubo e furto, perda total por colisão e outros danos ao veículo, além de responsabilidade civil para terceiros e assistência 24 horas. A precificação considera fatores como frequência de utilização, perfil do condutor, região de circulação e tipo de atividade exercida.

A companhia reconhece que a sinistralidade desse público tende a ser superior à média, principalmente entre entregadores que utilizam motocicletas, devido à maior exposição ao trânsito e aos riscos da atividade.

Para a CNseg, o avanço da proteção securitária para trabalhadores da economia digital também passa pelo desenvolvimento de soluções mais flexíveis, como seguros intermitentes — que podem ser ativados ou desativados conforme a necessidade do segurado —, além da simplificação dos processos de contratação, conclui a reportagem do Valor Econômico.

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