Notícias | 16 de setembro de 2026 | Fonte: CQCS | Livia Alves

Presidente da FenaPrevi destaca urgência de ampliar proteção financeira diante da maior longevidade

O aumento da longevidade e a necessidade de ampliar a proteção financeira da população brasileira foi tema da abertura do presidente da FenaPrevi, Edson Franco, durante o XII Fórum Nacional de Previdência Privada, realizado nesta quarta-feira (16), em São Paulo. Considerado o maior encontro do segmento no país, o evento teve como tema “O Amanhã se Constrói Agora” e contou também com a apresentação da quarta edição da pesquisa FenaPrevi/Datafolha.

Edson chamou atenção para o grande déficit de proteção existente no Brasil, especialmente em produtos voltados à proteção da renda em situações como doença, invalidez e morte prematura. Segundo ele, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, ainda existe uma responsabilidade do setor em ampliar o debate sobre formas de aumentar a cobertura da população.

Ao abordar o cenário, o presidente da FenaPrevi destacou que a proteção da renda precisa estar no centro das discussões sobre planejamento financeiro e previdenciário. “Talvez pareça um discurso repetido, mas não há como não falar mais uma vez do enorme gap de proteção securitária que existe no nosso país, em particular no que se refere aos produtos de proteção à renda, seja em casos de doença, invalidez, morte prematura ou falta de planejamento previdenciário”, afirmou.

Franco também relacionou a urgência do tema às mudanças estruturais pelas quais a sociedade brasileira vem passando. O envelhecimento da população ocorre paralelamente a transformações nas relações de trabalho, cenário que, segundo ele, traz impactos para o alcance das coberturas sociais e para o próprio financiamento do sistema previdenciário.

“Isso não significa que não evoluímos nos últimos anos, mas a urgência está se agravando, na medida em que acompanhamos uma profunda transformação demográfica estrutural, com uma sociedade de maior longevidade e uma nova realidade nas relações de trabalho. Isso tem implicações no alcance das coberturas sociais, excluindo grande parte da população brasileira de níveis de proteção adequados”, ressaltou.

Para Edson Franco, o aumento da expectativa de vida deve ser encarado como uma conquista, mas também exige uma preparação maior para os anos adicionais de vida. O executivo levantou questões relacionadas aos cuidados com os idosos, aos gastos com saúde e à responsabilidade pelo financiamento dessa etapa da vida.

“O envelhecimento deve, sim, ser comemorado, mas traz desafios que vêm em forma de conta a ser paga. Quem vai cuidar do idoso? O Estado? Um familiar? Um cuidador? Quem paga a conta dos gastos com saúde? Quem se preparou para viver 100 anos, cuidar de alguém que vive tanto e pagar sua aposentadoria?”, questionou.

Na avaliação do presidente da FenaPrevi, o planejamento para a longevidade precisa ir além da preocupação sobre quanto tempo as pessoas irão viver. É necessário pensar em como garantir condições financeiras para aproveitar esse período com segurança e dignidade.

Nesse contexto, Franco ressaltou que os produtos de proteção financeira e previdenciária assumem uma função que ultrapassa a questão econômica e alcança também a proteção das famílias. “Não se trata apenas de dinheiro, mas, principalmente, de planejamento. O aspecto central é como se planejar para usufruir dessa conquista. Nossos produtos de natureza privada assumem, cada vez mais, um propósito também social de proteção à vida das famílias, fazendo a diferença na vida das pessoas”, afirmou.

Pesquisa mostra preocupação com renda

A quarta edição da pesquisa FenaPrevi/Datafolha, apresentada durante o fórum, também foi citada por Franco como um indicativo da importância do tema. Segundo ele, o levantamento mostra que os principais receios dos brasileiros estão relacionados à possibilidade de comprometimento da capacidade de gerar renda e ao risco de desamparo das famílias.

A preocupação com doenças aparece, nesse cenário, associada tanto à possibilidade de interrupção do trabalho quanto ao aumento das despesas. “A nossa já tradicional pesquisa, realizada pelo Datafolha, comprova que os maiores medos dos cidadãos estão relacionados ao comprometimento da sua capacidade de gerar renda e ao risco de desamparar suas famílias. O surgimento de uma doença aparece como a principal preocupação, justamente porque pode impedir o trabalho ao mesmo tempo em que gera despesas elevadas”, explicou.

O executivo também destacou que o aumento da expectativa de vida vem acompanhado de uma percepção maior sobre a necessidade de planejamento financeiro. Custos de vida e de saúde e incertezas em relação à renda futura fazem parte desse cenário.

“Viver mais exige maior preparação. Os entrevistados reconhecem que o aumento da expectativa de vida torna o planejamento financeiro cada vez mais importante. O aumento do custo de vida, das despesas com saúde e a incerteza em relação à renda futura reforçam a percepção de que será necessário construir, por conta própria, algum tipo de proteção financeira”, afirmou.

Apesar da preocupação com a renda e o futuro, a contratação de seguros de proteção à renda ainda encontra obstáculos. De acordo com Franco, os resultados da pesquisa indicam que as barreiras não são apenas financeiras, mas também estão relacionadas à percepção que parte da população possui sobre o seguro.

Entre os exemplos citados pelo executivo estão a ideia de que contratar uma proteção poderia significar “agourar” um acontecimento negativo e a dúvida sobre pagar por um produto que poderá ser utilizado apenas em situações extremas.

“A pesquisa nos dá algumas pistas. ‘Parece que estou agourando’ é a percepção de algumas pessoas sem seguro. Outros questionam: ‘Vou pagar por algo que só vou usar quando morrer?’. A barreira simbólica é até mais forte do que a financeira. Entre aqueles que alegam que não possuem seguros porque acham caro, 45% dizem não saber quanto custa o produto”, afirmou.

Segundo Franco, outro dado chama atenção para a distância entre a percepção sobre o preço e a efetiva busca por informações. Apenas 10% dos entrevistados fizeram uma cotação, de acordo com os dados apresentados por ele durante o fórum.

“Esses dados nos desafiam, mas também nos inspiram. Conquistar maior estabilidade financeira e construir uma vida mais segura é uma necessidade para todos. Se conseguirmos caminhar nessa direção, ganha o mercado de seguros, mas, sobretudo, ganham os brasileiros e suas famílias, e ganha o país”, concluiu.

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