As pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras estão no centro de uma nova movimentação estratégica do mercado segurador. Embora ainda exista resistência de muitos empresários em enxergar o seguro como investimento, seguradoras já observam um potencial bilionário nesse segmento e o corretor aparece como peça-chave para transformar essa oportunidade em negócios.
Segundo reportagem do Valor Econômico, levantamento da CNseg mostra que apenas 26,7% dos pequenos empreendedores consideram contratar seguro no momento de abertura da empresa. Na maioria dos casos, o foco inicial ainda está em contabilidade e controle de custos.
O dado ajuda a explicar por que o mercado vê tanto espaço para expansão. Ao mesmo tempo em que a proteção ainda é pouco explorada pelas PMEs, cresce entre empresários a preocupação com continuidade dos negócios, riscos climáticos, responsabilidade civil e benefícios para funcionários.
Para Carlos Luporini, vice-coordenador da pós-graduação em gestão estratégica de seguros e previdência da FIA Business School, o setor ainda enfrenta um desafio cultural. “Infelizmente, as PMEs ainda consideram o seguro como um gasto, não como um investimento para proteger o patrimônio”, afirmou ao Valor Econômico.
Apesar disso, os números mostram uma mudança gradual de comportamento. A Bradesco Saúde revelou ao jornal que o segmento de PMEs já representa 25% da sua base de beneficiários e cresceu acima da média da seguradora em 2025.
O movimento também aparece em outras frentes do mercado. Na Mapfre, os seguros empresariais para pequenas empresas têm forte presença em escritórios, lojas, restaurantes, clínicas e academias, negócios cada vez mais expostos a riscos operacionais, patrimoniais e de responsabilidade civil.
A reportagem do Valor Econômico também aponta que o aumento dos eventos climáticos têm acelerado essa percepção de risco entre os empresários. Com isso, cresce a procura por coberturas mais robustas e flexíveis, principalmente nos ramos patrimonial e empresarial.
Outro ponto que chama atenção é o espaço ainda pouco explorado no seguro de vida empresarial. Dados citados pela publicação mostram que menos de um quarto das PMEs oferece algum tipo de proteção aos colaboradores, apesar de o segmento concentrar grande parte dos empregos formais do país.
Na avaliação do mercado, esse cenário cria uma oportunidade importante para os corretores ampliarem atuação consultiva junto aos pequenos empresários, principalmente na oferta de soluções personalizadas e alinhadas à realidade financeira de cada negócio.
A proximidade entre corretor e cliente, inclusive, aparece como um dos fatores mais relevantes para impulsionar vendas nesse segmento. Segundo Fabio Lessa, diretor comercial da CAPEMISA, o empresário busca praticidade e confiança na contratação. “A pequena empresa não quer um processo complicado. Desejo resolver uma necessidade real de forma rápida”, disse ao Valor Econômico.
O crescimento das PMEs dentro das carteiras das seguradoras reforça uma percepção cada vez mais clara no setor: o mercado corporativo não está apenas nas grandes contas. Para muitos corretores, as pequenas empresas podem representar uma das principais avenidas de crescimento nos próximos anos.

