O plano de saúde ocupa posição central entre os benefícios oferecidos pelas empresas brasileiras. Segundo Pesquisa de Benefícios de Saúde e Bem-Estar 2025, da Pipo Saúde, 93% das empresas entrevistadas oferecem o benefício aos colaboradores, percentual que chega a 97% entre organizações com mais de 500 funcionários. O levantamento ouviu 573 empresas de 26 segmentos que, juntas, representam mais de 800 mil colaboradores.
Ao mesmo tempo em que o benefício se consolida nas políticas corporativas, seu impacto financeiro faz com que a gestão dos planos ganhe importância para as organizações. De acordo com levantamento da Wiz Benefícios, área de operação da Wiz Co, especializada em benefícios e saúde corporativa, o plano de saúde tem representado, em média, 20% em determinados setores dos custos da folha de pagamento das empresas neste ano.
O cenário ocorre em um mercado que continua em expansão. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o Brasil chegou a 53,2 milhões de beneficiários de planos de saúde em julho, com a entrada de 76 mil novas vidas no mês. Embora o resultado tenha desacelerado em relação a junho, quando foram registradas 113 mil novas adesões, o volume de julho ficou cerca de 25% acima da média mensal dos 12 meses anteriores.
Para Yuri Romão, CEO da Plury Seguros, a combinação entre a ampla presença do benefício nas empresas e seu peso sobre os custos reforça a necessidade de uma gestão mais estratégica dos contratos de saúde corporativa.
“O plano de saúde deixou de ser apenas um benefício complementar e passou a fazer parte da estratégia de gestão das empresas. Existe, de um lado, a importância de oferecer uma assistência valorizada pelos colaboradores e, de outro, a necessidade de manter os custos sob controle e ter previsibilidade orçamentária. O desafio está justamente em equilibrar essas duas dimensões”, afirma.
A pesquisa da Pipo Saúde também mostra que 58% das empresas contribuem diretamente para o pagamento da mensalidade do plano. Além disso, 79% dos planos oferecidos pelas companhias contam com coparticipação, enquanto 31% das empresas afirmaram ter realizado mudanças no plano nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Na avaliação de Romão, esses dados mostram que a gestão do benefício precisa ir além do momento de contratação ou renovação do plano. “É importante que a empresa acompanhe de forma contínua aspectos como utilização, perfil da população atendida, rede credenciada, modelo de contratação e condições de reajuste. Essa análise permite identificar oportunidades de adequação antes que o benefício se torne um problema de custo para a organização”, explica.
O acompanhamento também pode envolver diferentes áreas da companhia, principalmente Recursos Humanos, financeiro e gestão, já que as decisões relacionadas ao plano de saúde afetam tanto a política de benefícios quanto o orçamento corporativo. A revisão periódica permite avaliar se a estrutura contratada continua adequada ao perfil dos colaboradores e aos objetivos da empresa.
Além do impacto financeiro, o benefício também está relacionado à estratégia de atração e retenção de profissionais. Nesse contexto, as empresas precisam considerar não apenas o custo do plano, mas também a percepção de valor do benefício para os colaboradores e sua aderência às características da força de trabalho.
“O benefício precisa fazer sentido para a realidade de cada empresa. Não existe necessariamente uma única configuração adequada para todas as organizações. Porte, localização, perfil dos colaboradores, orçamento e estratégia de recursos humanos são fatores que precisam ser considerados na hora de avaliar a estrutura do plano”, acrescenta Romão.
Com a manutenção de um mercado amplo de saúde suplementar e a relevância do plano de saúde nos pacotes de benefícios corporativos, a tendência é que a discussão avance da simples oferta do benefício para uma gestão mais estruturada de custos, utilização e adequação às necessidades da empresa.

