A Inteligência Artificial deixou de ser uma aposta para se tornar parte da estratégia de negócios — e, no mercado de seguros, empresas já começam a transformar essa tecnologia em ganhos concretos de produtividade. É o caso da Brick, que atua junto a seguradoras na aplicação de IA para automatizar processos e reduzir tarefas operacionais.
De acordo com levantamento da Gallup, 47% das empresas já incorporaram a tecnologia aos seus processos de trabalho. Ainda assim, transformar essa adoção em resultados reais continua sendo um desafio para boa parte das organizações.
Segundo Vinicius Schroeder, CEO e cofundador da Brick, o principal ponto não é simplesmente adotar ferramentas de IA, mas integrar a tecnologia aos processos que fazem parte da operação.
“O ganho de produtividade só aparece quando a IA está dentro do processo, e não ao lado dele. Hoje é comum ver empresas testando um chatbot aqui, uma automação. Esse é um primeiro passo importante, mas a transformação acontece quando a tecnologia passa a fazer parte do fluxo operacional”, afirma.
Para o executivo, um dos principais equívocos das empresas é tratar a Inteligência Artificial apenas como uma ferramenta tecnológica, sem promover mudanças na forma de trabalhar.
“Algumas organizações acreditam que basta contratar uma solução de IA para resolver seus problemas. Na prática, ela exige uma mudança de cultura e de processos. Em muitos casos, é preciso repensar a maneira como o trabalho é realizado, e isso é especialmente desafiador em um setor tão regulado e complexo como o de seguros”, explica.
Antes mesmo da implementação da tecnologia, Schroeder destaca que existem três pilares fundamentais para que a IA entregue resultados consistentes: processos bem definidos, dados organizados e liderança preparada para conduzir a transformação.
“Processos claros, informações estruturadas e gestores engajados fazem toda a diferença. Além disso, é importante que as equipes desenvolvam uma cultura de uso da Inteligência Artificial, entendendo suas possibilidades e também suas limitações”, ressalta.
No setor de seguros, os maiores ganhos tendem a ocorrer em atividades que concentram grande volume de tarefas manuais e repetitivas. Entre elas estão a validação de dados, conferência documental e cruzamento de informações provenientes de diferentes sistemas.
“Na subscrição e na regulação de sinistros, por exemplo, muitos analistas ainda gastam boa parte do tempo conferindo documentos e buscando informações espalhadas em diversas bases. Esse tipo de atividade pode ser executada pela IA, permitindo que os profissionais concentrem seus esforços nas decisões que realmente exigem análise e julgamento humano”, observa.
Segundo Schroeder, esse é justamente o caminho adotado pela Brick junto às seguradoras e corretoras parceiras: utilizar a Inteligência Artificial para automatizar atividades operacionais e liberar as equipes para funções estratégicas.
“O objetivo não é substituir pessoas, mas permitir que elas utilizem melhor seu conhecimento. Quando a IA assume tarefas repetitivas, os profissionais ganham tempo para analisar riscos, atender clientes e tomar decisões de maior valor para o negócio”, conclui.

