A Oncoclínicas informou na noite desta segunda-feira que firmou um acordo de pagamento com a Unimed Ferj que possibilitará a retomada dos atendimentos dos usuários da operadora em tratamento oncológico. As dívidas da operadora com a rede especializada são de cerca de R$ 790 milhões. No fim de julho, a Unimed descredenciou a rede que atendia cerca de 12 mil pacientes. Eles foram redirecionados a uma unidade própria da operadora em Botafogo, mas um alto volume de reclamações sobre o local foi registrado.
Segundo fato relevante divulgado pela Oncoclínicas, o montante deverá ser quitado pela operadora em 94 meses não lineares, de acordo com o fluxo de caixa, ou seja, em alguns meses o valor será maior e, em outros, menor.
Apesar do acordo para colocar em dia os débitos da Unimed com a rede oncológica, nem todos os pacientes atingidos pelo descredenciamento serão reabsorvidos pela Oncoclínicas. Segundo a empresa, apenas aqueles que ainda não conseguiram atendimento no Espaço Cuidar Bem, em Botafogo, para onde os usuários foram encaminhados, deverão retomar o tratamento nas unidades da Oncoclínicas.
“Essa iniciativa visa a colaborar, de forma temporária e emergencial, com o adequado atendimento aos beneficiários dessa operadora de saúde na cidade do Rio de Janeiro”, diz o comunicado da Oncoclínicas.
O documento ainda detalha que o contrato de retomada da assistência terá duração de dois meses, prorrogáveis por igual período e com pagamento semanal antecipado à Oncoclínicas dos tratamentos prestados.
Na manhã desta segunda-feira, executivos da Oncoclínicas se reuniram com diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e informaram que não poderiam mais prestar atendimento aos pacientes oncológicos da Unimed Ferj por causa da falta de pagamentos da operadora. Na semana passada, o órgão regulador determinou que a Unimed reintegrasse a Oncoclínicas a sua rede credenciada.
Ao contrário do que vinha sendo informado pela operadora, os representantes da rede oncológica confirmaram o descredenciamento, afirmando que receberam da operadora um comunicado informando que todos os pacientes em tratamento seriam transferidos para a unidade em Botafogo.
Eles também detalharam aos diretores da ANS que a falta de pagamentos da Unimed levou ao fechamento de duas unidades da Oncoclínicas.
Além da determinação de mudanças no atendimento aos pacientes com câncer, a ANS decidiu na sexta-feira instaurar direção técnica na Unimed Ferj para monitorar as medidas tomadas pela operadora para resolver os “graves problemas” assistenciais aos usuários.
No regime especial de direção técnica, representantes nomeados pela ANS acompanham presencialmente o dia a dia da operadora e a qualidade de assistência prestada aos beneficiários. Não se trata de uma intervenção, a operadora continua na gestão da operadora, mas é feito um acompanhamento diário e presencial da agência, com análises e definição de metas a serem cumpridas.

