A chegada do superiate “Enejota”, adquirido por Neymar, a Angra dos Reis (RJ), no dia (13) de julho, chamou a atenção pelo luxo e pelo valor estimado entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões. Mas, além de atrair olhares no litoral fluminense, a embarcação também colocou em evidência um segmento altamente especializado do mercado de seguros. Proteger um patrimônio desse porte exige apólices sofisticadas, participação de resseguradoras internacionais e uma análise técnica criteriosa.
Com cerca de 46 metros de comprimento, seis suítes e heliporto, o “Enejota” foi construído pela INACE, em Fortaleza, antes de seguir viagem até Angra dos Reis, onde o jogador possui uma mansão. A embarcação rapidamente virou atração na marina e despertou a curiosidade de moradores, turistas e apaixonados pelo universo náutico.
Por trás da imponência da embarcação, existe uma operação de seguros igualmente sofisticada. Segundo Edison Macena, CEO da Alteza & Macena Corretora de Seguros, um superiate reúne características que exigem uma estrutura de proteção completamente diferente da utilizada em embarcações convencionais.
“Estamos falando de um patrimônio de altíssimo valor, equipado com tecnologia sofisticada, operado por tripulação profissional e que pode navegar em águas internacionais. Uma apólice convencional não contempla essa complexidade”, explica.
O executivo destaca que esse tipo de seguro é estruturado por seguradoras especializadas e, devido aos valores envolvidos, conta obrigatoriamente com a participação de resseguradoras para distribuir o risco da operação.
Além da cobertura para danos ao casco e aos sistemas da embarcação em casos de colisão, incêndio, naufrágio ou eventos climáticos, as apólices incluem responsabilidade civil perante terceiros, cobertura para acidentes envolvendo a tripulação registrada, proteção contra danos ambientais e assistência em situações previstas contratualmente. Dependendo da configuração do superiate, itens como obras de arte, equipamentos tecnológicos, sistemas de comunicação via satélite e embarcações auxiliares, como jet skis e botes, também exigem coberturas específicas.
A precificação desse tipo de seguro também vai muito além do valor da embarcação. Entre os fatores analisados pelas seguradoras estão a área de navegação, a qualificação da tripulação, a finalidade de uso da embarcação e o histórico de sinistros do proprietário.
De acordo com Macena, navegar exclusivamente em baías e regiões abrigadas representa uma exposição significativamente menor do que realizar travessias oceânicas ou operar em locais sujeitos a fenômenos climáticos severos. Da mesma forma, embarcações destinadas ao uso privado recebem uma avaliação diferente daquelas utilizadas para charter, modalidade que amplia a exposição a terceiros e altera tanto as condições de aceitação quanto o valor do prêmio.
“O processo de subscrição é extremamente técnico. Além do valor do bem, são avaliados o perfil de navegação, a operação da embarcação, a documentação da tripulação e o histórico do proprietário. Em riscos dessa magnitude, diferentes resseguradoras podem compartilhar a cobertura para garantir segurança financeira à operação”, afirma.
Embora seja um nicho bastante específico, o seguro para embarcações de luxo demanda um elevado grau de especialização por parte dos corretores. Segundo Macena, o profissional deixa de atuar apenas na comercialização da apólice e passa a exercer um papel consultivo, compreendendo o perfil de navegação do cliente, identificando os riscos envolvidos e recomendando coberturas compatíveis com a utilização da embarcação.
“O cliente desse segmento valoriza assessoria técnica qualificada. Credibilidade e conhecimento são os principais diferenciais para conquistar sua confiança”, ressalta.
Para atuar nesse segmento, o executivo recomenda investir em especialização, conhecer as particularidades das coberturas náuticas, os critérios das seguradoras especializadas, a dinâmica do resseguro internacional e as exigências da Marinha do Brasil. O relacionamento com marinas, estaleiros, concessionárias e parceiros especializados também é apontado como um diferencial.
“Não é um segmento para entrar sem preparo. Mas, para o corretor que investe em conhecimento e constrói uma rede de relacionamento, a relação entre esforço e retorno é bastante favorável”, conclui.

