O lançamento de grandes produtos do entretenimento tem sido explorado por criminosos para aplicar golpes na internet. O caso mais recente envolve o GTA 6, utilizado como isca para atrair consumidores por meio de falsos links de download, promoções e cadastros fraudulentos, com o objetivo de roubar dados pessoais e bancários. O episódio evidencia uma realidade cada vez mais presente: qualquer pessoa conectada está exposta a riscos cibernéticos. Nesse cenário, cresce a importância de soluções voltadas à proteção digital, incluindo seguros que oferecem suporte financeiro e assistência em casos de fraudes eletrônicas.
Segundo Claudio Macedo, corretor de seguros e professor da ENS, o mercado de seguros acompanha constantemente a evolução das ameaças para adaptar produtos e critérios de análise de risco.
“As seguradoras estão atentas aos modos de atuação dos criminosos e ao que precisa ser feito para prevenir esses ataques. Quanto mais protegida uma empresa estiver, melhor tende a ser a avaliação do risco e, consequentemente, mais adequado pode ser o valor do seguro.”
Macedo explica que existe uma diferença importante entre o seguro cibernético contratado por empresas e as coberturas disponíveis para consumidores. “O seguro cibernético, na essência, é voltado para pessoas jurídicas e tem como base a responsabilidade civil. Para pessoas físicas, o que existe são seguros que cobrem alguns riscos digitais, como golpes via Pix, fraude com cartão de crédito e outras situações semelhantes, mas isso não significa que seja exatamente um seguro cyber.”
Além da indenização por determinados prejuízos financeiros, algumas seguradoras também oferecem serviços especializados para reduzir os impactos de um incidente. “As seguradoras ajudam principalmente na resposta ao incidente. Elas disponibilizam canais de atendimento, especialistas para orientar o cliente e, em alguns casos, advogados especializados em LGPD quando ocorre vazamento de dados.”
Segundo ele, algumas companhias também passaram a investir em prevenção. “Já existem seguradoras oferecendo ferramentas de proteção, como análise de vulnerabilidades e plataformas de treinamento para ajudar o cliente a reduzir os riscos antes que um ataque aconteça.”
Embora os golpes digitais estejam cada vez mais frequentes, Macedo acredita que a procura por proteção cresce principalmente entre pessoas que já entendem os riscos.
“Quem tem um nível maior de conscientização procura formas de se proteger. Já quem acredita que nunca será vítima normalmente continua sem contratar qualquer proteção.”
Na avaliação de Macedo, o maior obstáculo ainda é cultural e o corretor de seguros pode ser um agente importante na disseminação da cultura de proteção digital, mas o próprio mercado ainda precisa evoluir nesse aspecto. “Infelizmente, poucos corretores trabalham efetivamente com seguro cibernético. Muitos nem contratam esse tipo de proteção para a própria corretora.”
Ele estima que apenas uma pequena parcela dos profissionais possuem conhecimento aprofundado sobre o tema. “Entre cerca de 70 mil corretoras existentes no Brasil, acredito que existam apenas algumas dezenas de corretores com bom nível de conhecimento em seguro cibernético.”
Para o professor, ainda prevalece a falsa percepção de que apenas grandes empresas são alvo dos criminosos. “O brasileiro já costuma contratar pouco seguro para riscos que consegue enxergar. Quando o risco é digital, essa resistência é ainda maior. Muitos pensam que um ataque nunca vai acontecer com eles ou acreditam que os criminosos só atacam grandes empresas. Na prática, acontece justamente o contrário. Os casos que chegam à mídia são os maiores, mas pequenos negócios e pessoas físicas também são alvos diariamente.”
Diante da sofisticação crescente das fraudes digitais, Macedo reforça que a orientação do corretor pode fazer a diferença para que clientes compreendam os riscos, adotem medidas preventivas e conheçam as soluções disponíveis para reduzir os impactos financeiros de um incidente cibernético.

