A Núclea, empresa de tecnologia que também atua no mercado de seguros, adotou soluções open source da Red Hat para automatizar a atualização de seus sistemas e reduzir o tempo gasto em processos que antes dependiam de execução manual. Com a mudança, tarefas que podiam levar até duas horas, entre execução, validação e checagem, passaram a ser realizadas em 15 a 20 minutos.
Especializada em infraestrutura tecnológica para o mercado financeiro, a empresa conta com quase mil colaboradores. Ao mesmo tempo em que o número de sistemas em operação mais que dobrou, frameworks de segurança, como o NIST, e certificações ISO passaram a exigir atualizações cada vez mais frequentes.
Até então, os procedimentos eram realizados manualmente. Cada atualização de servidor, banco de dados ou middleware dependia da atuação de especialistas e estava sujeita a falhas operacionais.
Para mudar esse cenário, a Núclea implementou o Red Hat Ansible Automation Platform como principal ferramenta para criar, gerenciar e escalar a automação de TI. Também foram adotados o Red Hat Satellite Server e uma arquitetura GitOps, que utiliza um repositório Git como fonte para definir o estado desejado dos sistemas.
Com a estrutura, a empresa passou a substituir execuções manuais por playbooks padronizados e reutilizáveis, que podem ser testados e replicados em diferentes ambientes, incluindo estruturas próprias, nuvem e configurações híbridas.
“Antes, se eu tinha 20 sistemas e 30 pessoas, para crescer eu imaginava precisar de 40 sistemas e 60 pessoas. Com a automação, isso deixou de ser necessário”, destaca Eude Ferreira, gerente de infraestrutura da Núclea.
A automação também foi aplicada à gestão dos recursos de nuvem. Ao integrar o Ansible ao sistema de chamados e às ferramentas de orquestração, a Núclea criou um fluxo que permite aos próprios desenvolvedores ligar e desligar ambientes de homologação na AWS conforme a necessidade.
A medida reduziu o uso de recursos ociosos e resultou em uma economia estimada entre R$ 500 mil e R$ 600 mil em custos de nuvem ao longo de um ano.
“O Ansible nos deu o que mais precisávamos: previsibilidade. Por meio do código aberto, passamos a executar tarefas complexas com a certeza de que o resultado seria o mesmo, independentemente de quem estivesse operando. Isso mudou completamente nossa relação com a infraestrutura”, afirma Ferreira.
A próxima etapa do projeto prevê automatizar 100% das execuções da Núclea até o final de 2026. Entre os planos está a automação do provisionamento de novos ambientes na AWS, que atualmente pode levar horas. A meta é reduzir esse processo para, no máximo, duas a três horas.
A empresa também prevê automatizar o refresh de ambientes de homologação, relatórios de vulnerabilidade e estratégias de disaster recovery, além de avançar na adoção de inteligência artificial.
“A automação já é a espinha dorsal da nossa operação. O próximo passo é torná-la ainda mais inteligente e usar tudo o que construímos como base para incorporar IA e levar nossa capacidade de resposta a um novo nível. Não estamos mais perguntando se vamos automatizar: estamos perguntando o que automatizar primeiro”, afirma Ferreira.

