A ampliação da proteção financeira no Brasil passa pela criação de novas soluções, mas também por avanços em educação securitária, distribuição, confiança e estabilidade regulatória. Esses pontos estiveram entre os principais temas discutidos durante painel do XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada da FenaPrevi, que reuniu representantes do governo, da Susep e do mercado de seguros nesta quarta-feira (16) em São Paulo.
O superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, destacou que ampliar a proteção exige também uma agenda específica de educação sobre seguros e previdência. Segundo ele, o órgão pretende trabalhar na construção de um plano de longo prazo sobre o tema.
“Nós temos um outro enorme desafio, que foi aqui colocado ainda que em passagem. Nós temos que ser capazes de travar a grande batalha da educação securitária e previdenciária, para além da educação financeira. Nós estamos falando aqui de uma especificidade muito clara do nosso setor.”
Patrícia Freitas, Presidente da Prudential do Brasil, relacionou a necessidade de novas soluções às mudanças no perfil da população e da renda. Ela citou a longevidade e as novas formas de trabalho como fatores que exigem produtos mais adaptáveis.
“Eu acho que esses três pontos, a longevidade, a renda que não é mais linear, que muda, e as necessidades que mudam ao longo do tempo das pessoas, nos trazem essa convocação de novo, de estar num painel como esse, Estado, empresas, discutindo como a gente vai ampliar as soluções de proteção dentro do nosso país.”
A experiência internacional também foi apontada como fonte de aprendizado. Fernando Trujillo, Vice-Presidente Sênior de Estratégia de Negócios, Transformação e Distribuição da MetLife, destacou a importância de combinar regulação, oferta de valor e canais de distribuição.
“Os aprendizados são muitos, mas eu vou manter com essa bondade de simplicidade e talvez voltar aos pontos estruturais que eu falei no início, que são a combinação de regulação, de oferta de valor e de construção de distribuição.”
Para Breno Gomes, Diretor Estatutário da FenaPrevi e Presidente da MetLife Brasil, a confiança será fundamental para produtos de longo prazo. Ele ressaltou que a estabilidade regulatória e a preparação dos profissionais que atuam na distribuição serão determinantes nesse processo.
“Nesse setor, regulador, Receita, a gente precisa pensar nesse produto de longo prazo. Ele não é um produto temporário de um ano, que a gente vai renovando. Então, a gente, sem dúvida, tem que ter uma estabilidade regulatória de longo prazo, para que a pessoa que compre isso acredite nesse produto de longo prazo.”
Já o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Régis Dudena, destacou o papel dos incentivos tributários e defendeu que eventuais medidas sejam direcionadas de forma a ampliar os benefícios para a economia e para a população.
“Esse é um cuidado e esse é um compromisso que eu deixo em nome do Ministério da Fazenda. Nós estamos olhando, sim, para todas as medidas necessárias para incentivar esse setor de uma forma a beneficiar a economia, a população e combater a desigualdade no mundo.”
O painel foi mediado por João Batista Angelo, Diretor Estatutário da FenaPrevi e Diretor de Novos Negócios e Relacionamentos Institucionais da Zurich Santander. A discussão mostrou que a expansão da proteção financeira depende de uma combinação de fatores, que envolve novas soluções, educação, regulação, distribuição e maior aproximação com o consumidor.

