A ANTT publicou, ano passado, a Portaria nº 27, que estabelece regras para a comprovação da contratação dos seguros obrigatórios no transporte rodoviário de cargas. Com essa norma, todos os Transportadores Rodoviários Remunerados de Cargas (TRRC) devem comprovar a contratação de três seguros: RCTR-C (danos às mercadorias), RC-DC (roubos e extravios) e RC-V (acidentes com veículos). Cada transportador deve manter apenas uma apólice de RCTR-C e RC-DC vinculada ao RNTRC, e, em caso de subcontratação de caminhoneiros autônomos, a responsabilidade pela cobertura será do contratante. A medida cria novas oportunidades de negócios para corretores de seguros, mas muitos profissionais ainda demonstram desconhecimento sobre este segmento específico.
Para Rogério Bruch, diretor Comercial da Fetransporte Brasil, essa regulamentação é bastante positiva. “Traz mais clareza para o setor e ajuda a definir melhor as responsabilidades de cada participante da operação de transporte”, diz. “Mais do que uma obrigação legal, a portaria reforça a importância do seguro como ferramenta de proteção financeira e de gestão de riscos para as empresas”, complementa Bruch.
Apesar da relevância, o especialista acredita que muitos transportadores e embarcadores conhecem a obrigação, mas nem sempre compreendem a dimensão da proteção que oferecem.
Neste sentido, contar com um corretor de seguros informado é essencial. “Em momentos de mudança regulatória, cresce a necessidade de orientação técnica. O corretor deixa de ser apenas um intermediário e passa a atuar como um verdadeiro consultor”, ressalta. “As empresas buscam apoio para entender a legislação, revisar suas coberturas, adequar apólices e estruturar programas de gerenciamento de riscos mais eficientes”, acrescenta o diretor comercial da Fetransporte.
De acordo com Bruch, o que diferencia um corretor especializado em transporte de um corretor tradicional é o conhecimento da operação logística. Segundo ele, é fundamental entender as cargas transportadas, as rotas, os riscos envolvidos e as responsabilidades de cada participante da cadeia logística. “Quando o corretor conhece profundamente a realidade do cliente, ele consegue propor soluções mais adequadas e gerar muito mais valor para a empresa”, enfatiza.
Claudio Melo, CEO da Zure Corretora de Seguros, também afirma que a nova regulamentação é uma oportunidade de negócio para os corretores, especialmente por ser pouco explorada entre os profissionais, que podem atuar de maneira consultiva.
“Vejo que é um dos segmentos com a maior probabilidade de crescimentos nos próximos anos. Muitos corretores que focam no automóvel, por exemplo, quando eles perceberem a possibilidade de crescimento que tem no transporte, muitos irão mudar. Mas precisamos de especialização. O mercado de corretores pede conteúdo de especialização nessa área”, analisa Melo.
Uma das táticas utilizadas pelo CEO da Zure Corretora de Seguros é falar a linguagem do cliente e abordar situações vividas por segurados. “Quando traz exemplos de empresas ou mesmo motoristas que passam por situações de onde não têm de onde tirar a cobertura de um roubo de carga, de um acidente com terceiros, a conversa deixa de ser sobre custos e passa a ser de sobrevivência do negócio”, reflete.
Apresentar casos reais também é uma estratégia de Rogério Bruch. “Mostro como uma cobertura desatualizada pode gerar prejuízos financeiros, problemas jurídicos e até comprometer a continuidade da atividade. O seguro precisa acompanhar a evolução da empresa”, destaca o diretor Comercial da Fetransporte.
Em meio às mudanças regulatórias, Bruch deixa uma mensagem para os transportadores. “O mercado está cada vez mais profissional e exigente. Empresas que investem em gestão de riscos, conformidade regulatória e proteção patrimonial estão mais preparadas para crescer de forma sólida e enfrentar os desafios do setor com segurança”, conclui.
Novas exigências da ANTT destacam oportunidades pouco exploradas por corretores
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