O mercado de seguros para o transporte rodoviário de cargas registrou arrecadação de R$ 6,6 bilhões em 2025, alta de 8% em relação ao ano anterior, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). No mesmo período, os sinistros somaram R$ 3,6 bilhões, crescimento de 17,5%, considerando acidentes, roubos e furtos.
Para 2026, a previsão é que o seguro de transporte cresça entre 10% e 12%, impulsionado tanto pela atividade econômica quanto pelas mudanças regulatórias, sob o reflexo da Lei nº 14.599/2023, que tornou obrigatórios os seguros de responsabilidade civil (RCTR-C, RC-DC e RC-V).
Segundo João Paulo Barbosa, especialista em gestão de riscos e CEO da Mundo Seguro, o desempenho do segmento ocorre em um contexto de mudanças regulatórias e de maior fiscalização por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Na avaliação do executivo, a fiscalização digital da ANTT fez com que o seguro de carga deixasse de ser apenas uma obrigação burocrática para se tornar um componente essencial da gestão de riscos e da continuidade das operações.
“Por isso, é importante que as empresas verifiquem se suas apólices estão adequadas às exigências atuais, evitando restrições operacionais e outros impactos decorrentes da falta de cobertura ou de inconsistências na contratação”, afirmou.
De acordo com Barbosa, a agência ampliou o uso de sistemas digitais para verificar informações de documentos fiscais, manifestos eletrônicos (MDF-e) e apólices de seguro. Segundo ele, o cruzamento dessas informações permite identificar inconsistências relacionadas à contratação dos seguros obrigatórios previstos na legislação.
“Esse avanço bilionário registrado pela Susep e a projeção de crescimento de até 12% para este ano deixam claro o amadurecimento do ecossistema logístico. As empresas entenderam que, com a ANTT fiscalizando eletronicamente em tempo real, estar segurado não é mais uma opção ou um custo maleável, mas sim a garantia de que a operação não vai parar. A regulamentação trouxe regras estritas e o risco de operar na irregularidade se tornou alto demais para o bolso”, pontuou o executivo.
A legislação determina a contratação de três seguros obrigatórios. O Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C) cobre danos à carga provocados por acidentes, como colisões, tombamentos e incêndios. Já o Seguro de Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga (RC-DC) garante cobertura para prejuízos decorrentes de roubo ou desaparecimento da mercadoria. O terceiro é o Seguro de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V), destinado à indenização por danos materiais e corporais causados a terceiros durante a operação de transporte.
Para João Paulo Barbos, o endurecimento da ANTT acabou gerando um efeito colateral positivo: o amadurecimento da cultura de gestão de riscos no Brasil.
“As empresas estão percebendo que o custo de uma multa, somado ao valor de uma carga perdida e à paralisação da frota por irregularidade, pode decretar a falência de uma transportadora de médio porte em poucos dias. O seguro não é mais um custo para cumprir tabela com o governo, é a garantia de que a operação vai continuar de pé amanhã”, ressaltou o executivo.

