A presença da Nimbloo, AutoTech brasileira, em operações de empresas como ControlExpert, Creditas e Trillia evidencia um movimento importante para o mercado de seguros e serviços financeiros: a busca por soluções de inteligência artificial capazes de ir além da experimentação e entregar resultados consistentes em ambientes de alta exigência operacional. Em um cenário no qual a adoção da tecnologia avança em diferentes frentes, a maturidade dos fornecedores, a governança e a capacidade de mensurar resultados ganham espaço nas decisões de negócio.
Para Moisés Santana, CEO da Nimbloo, a relação com essas empresas representa uma mudança de patamar para a companhia. “O fato de empresas desse porte, cada uma referência no seu segmento, passarem a contar com a nossa inteligência artificial dentro de operações críticas, diz muito mais sobre o que a Nimbloo se tornou do que sobre o que ela promete”, afirma.
Segundo o executivo, o primeiro semestre de 2026 foi marcado pela execução de um planejamento estratégico que envolveu diferentes áreas da empresa, com reforço da equipe, estruturação de RH e compliance, reposicionamento da marca, criação do produto Nimbloo Suite e evolução dos modelos de inteligência artificial. A companhia também passou a entregar soluções para a vertical de bancos e financeiras e reduziu seu ciclo de vendas de cinco meses para duas semanas, de acordo com Santana.

O avanço ocorre em um momento no qual a distância entre testar uma tecnologia e incorporá-la efetivamente às operações continua sendo um desafio para o setor. O Relatório Mundial de Seguros de Danos e Responsabilidades 2026, da Capgemini, aponta que 60% das seguradoras analisadas internacionalmente ainda estavam em fases de exploração ou prova de conceito de inteligência artificial, enquanto 42% não acompanhavam métricas relacionadas à tecnologia. O levantamento ouviu 344 executivos em 18 mercados, incluindo o Brasil, entre dezembro de 2025 e março de 2026.
Na avaliação de Santana, a transição para aplicações operacionais depende de critérios que vão além da capacidade técnica dos modelos. “Uma fornecedora madura precisa chegar com indicadores claros e com um caminho definido para que o cliente consiga mensurar o impacto”, destaca.
O executivo também aponta a previsibilidade como requisito para a adoção em larga escala. Em operações críticas, explica, a evolução dos modelos não deve comprometer a consistência das análises nem provocar mudanças inesperadas nos custos. Para ele, a estrutura organizacional, os processos internos e a governança também são fundamentais para sustentar a confiança dos clientes.
A Nimbloo é uma AutoTech que desenvolve inteligência artificial proprietária especializada no setor automotivo. A tecnologia começou a ser desenvolvida em 2017, enquanto a fundação da empresa e sua entrada no mercado ocorreram em 2023. A proposta é combinar conhecimento da indústria automotiva e análise de imagens de veículos para apoiar decisões automatizadas em diferentes contextos de negócio.

A especialização é um dos pilares da estratégia da companhia. Segundo Santana, a participação de profissionais com experiência em perícias automotivas contribuiu para incorporar aos modelos conhecimentos relacionados a vistorias, sinistros e avaliação de veículos utilizados como garantia financeira.
“Tecnologia sem contexto é só código. E código não resolve problema de negócio, resolve problema de software”, afirma o CEO. Para ele, compreender as necessidades específicas de cada operação é essencial para transformar recursos computacionais em resultados concretos.
A relação com a ControlExpert, empresa de atuação internacional voltada à digitalização e à eficiência de processos relacionados a sinistros automotivos, aproxima essa proposta de um ecossistema especializado na operação do seguro. Nesse contexto, análises consistentes, padronização de critérios e rastreabilidade podem contribuir para reduzir retrabalho e ampliar a previsibilidade de processos de vistoria e sinistro.
A relevância desse segmento também aparece nos números do mercado brasileiro. De janeiro a julho de 2026, o seguro auto arrecadou R$ 36,68 bilhões em prêmios, o equivalente a 42% dos prêmios dos seguros de danos, segundo o boletim da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O volume reforça a dimensão econômica da modalidade e a importância de processos capazes de acompanhar as exigências operacionais do setor.
Já no mercado financeiro, a relação com a Creditas, que atua com crédito com garantia de veículo, está inserida em um contexto no qual informações confiáveis sobre o ativo podem contribuir para a avaliação da garantia e para a continuidade da análise financeira. Nesse tipo de operação, agilidade e padronização precisam caminhar junto com controles adequados, sem que a automação ignore as responsabilidades envolvidas na tomada de decisão.

A Trillia, negócio da B3 voltado a dados e inteligência aplicada, com soluções para crédito, seguros e negócios veiculares, representa outra frente de atuação da Nimbloo. A presença da empresa nesse ecossistema reforça a discussão sobre o papel do conhecimento especializado na produção de informações que apoiam decisões em diferentes pontos das cadeias financeira e seguradora.
Dados divulgados pela Trillia, a partir de levantamento da B3, mostram que o Brasil registrou 4,452 milhões de veículos financiados entre janeiro e julho de 2026, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025. O indicador considera automóveis leves e comerciais, motocicletas e veículos pesados e dimensiona a movimentação do mercado de financiamento para aquisição de veículos.
Para Santana, o crescimento da demanda torna ainda mais importante a capacidade de ampliar o volume de operações sem comprometer a qualidade das análises. “A palavra-chave aqui é consistência em escala”, afirma. Segundo ele, a inteligência artificial especializada pode contribuir para padronizar critérios, reduzir retrabalho e permitir que empresas ampliem suas operações mantendo controle sobre os processos.
Além da eficiência, a proteção de dados e a possibilidade de auditar decisões estão entre os aspectos que, na visão do CEO, devem orientar a adoção da inteligência artificial em setores regulados. Santana defende que a velocidade só representa um benefício quando acompanhada de resultados consistentes e mecanismos que permitam compreender e revisar as análises produzidas pela tecnologia.
“Agilidade sem confiabilidade é um risco disfarçado de benefício. A velocidade só tem valor quando vem acompanhada de consistência”, ressalta.

O executivo também considera a proteção de dados um compromisso essencial para empresas que fornecem soluções a instituições financeiras e seguradoras. Nesse cenário, questões como o tratamento das informações, o controle de acesso e a governança precisam fazer parte da relação entre fornecedores e clientes.
A rastreabilidade, por sua vez, permite acompanhar e revisar os resultados gerados pela tecnologia. Essa possibilidade contribui tanto para a transparência quanto para o aperfeiçoamento das operações. Santana ressalta, contudo, que a capacidade de auditar uma decisão não exige a exposição da propriedade intelectual dos modelos utilizados.
Ao reunir atuação em diferentes segmentos e investir na estruturação da própria operação, a Nimbloo busca expandir sua posição como fornecedora de inteligência artificial especializada no setor automotivo. Para o mercado de seguros e serviços financeiros, o movimento recoloca em pauta uma questão central: o diferencial competitivo não está apenas em incorporar novas tecnologias, mas em garantir que elas funcionem com previsibilidade, responsabilidade e capacidade de gerar valor em escala.

