Um estudo feito pela Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro aponta que a máxima “mais vale prevenir do que remediar” segue fazendo sentido. Feito pelo Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro, aponta que o gasto anual estimado para a renegociação, R$ 3,6 bilhões, poderia garantir 20 milhões de hectares segurados no campo. A coluna entrevistou o coordenador do observatório, Pedro Loyola.Confira trechos da entrevista.
Qual o objetivo do mapeamento feito? Esse estudo traz elementos para que a gente pense um pouco na qualidade do gasto público. Não estamos falando de trocar a renegociação, que é necessária e que o produtor deve ter acesso para conseguir prosseguir a sua vida, mas temos de começar a pensar na prevenção. Essa renegociação foi feita através de um acúmulo, alavancagem do produtor, financeira, por conta também dos problemas climáticos de preço e outros que ocorrem na agricultura. Então, pensamos em fazer um estudo mostrando o quanto poderia ser poupado, vamos dizer assim, com esse recurso, de futuras renegociações de dívidas.
O estudo aponta que que o impacto fiscal da renegociação, por ano, estimado em R$ 3,6 bi, equivaleria a 20 milhões de hectares segurados.
Estamos falando de capitais segurados de R$ 112 bilhões de reais, o equivalente a 398 mil operações apólices e uma área de 20 milhões de hectares. No ano passado, tivemos, de área plantada no Brasil, arredondando, em torno de 97 milhões de hectares e fizemos apenas 3,3 milhões de hectares com seguro, com apoio do governo, governo, mais em torno de 4 milhões (de hectares) de Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária), que dá um pouco mais de 7 milhões (de hectares). O ano que mais tivemos seguro no Brasil foi 2021: chegamos a ter 18 milhões de hectares no Brasil (seguro e Proagro) e, agora, reduzimos para menos de 8 milhões de hectares. Qual o problema disso? É que estamos renegociando uma dívida sem um instrumento do governo que garanta a esse produtor que conseguirá pagar a dívida. É um pouco preocupante para o tamanho do nosso país, termos neste ano, menos de 3% de área segurada e mais um pouquinho no Proagro.
Como é a proporção da área segurada em relação a outros países?
Estamos muito aquém de países como Estados Unidos, que aplica cem vezes mais recursos no seguro rural que o Brasil. A Espanha, por exemplo, que aplica o equivalente a R$ 2 bilhões de em seguro rural, aplica mais de três vezes recursos do que o Brasil, sendo que a economia agrícola da Espanha é 10 vezes menor que o Brasil. E o tamanho territorial da Espanha, para terem uma ideia, é praticamente um pouquinho menor que Minas Gerais. Nosso país ainda não entendeu que na gestão de riscos agropecuários o mais importante é o seguro rural e também o Proagro. Esses instrumentos precisam ser reforçados, principalmente neste ano que estamos com um El Niño de alta intensidade, que pode trazer para a Região Sul problemas de chuvas excessivas, enchentes.
De quem é a tarefa de reforçar os instrumentos de gestão de risco?
Quando se fala em subvenção, é a participação dos recursos públicos em parte do custo, quando se fala do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). E a gente tem o Proagro, que é um programa para minimizar riscos climáticos e que atinge uma parcela específica de produtores, porque está ligado aos financiamentos que são da agricultura familiar.
No estudo, há uma frase que diz: “A renegociação recupera liquidez, o seguro transfere o risco”…
Estamos falando que é importante trazer a prevenção através do seguro. E que esse seguro vai recuperar o capital que esse produtor teria com a produção para pagar financiamento, dar liquidez para o fluxo de caixa, de passagem de safra. A renegociação de dívida dá aquela liquidez de curto prazo para resolver o problema naquele momento. Não tem essa visão de longo prazo do seguro.

