A Letra de Risco de Seguro (LRS) começa a ganhar espaço no Brasil e já desponta como uma alternativa para ampliar a capacidade do mercado segurador em segmentos que historicamente enfrentam limitações de cobertura. Crédito, seguro-garantia, agro e carteiras tradicionais estão entre as principais apostas da Galápagos para a expansão do instrumento nos próximos anos. O movimento reforça a aproximação entre o setor de seguros e o mercado de capitais, tendência que começa a ganhar força no país.
A avaliação é da Galápagos, que vê a LRS como um mecanismo complementar ao mercado tradicional de resseguro, capaz de atrair investidores para riscos que, muitas vezes, já encontram restrições de capacidade no setor.
Segundo Roberto Takatsu, sócio da Galápagos Capital e CFO, o seguro de crédito foi identificado desde o início como uma das primeiras grandes oportunidades para desenvolvimento da LRS. O motivo, segundo ele, está na familiaridade dos investidores com esse tipo de risco.
Takatsu explicou que o mercado de capitais trabalha diariamente com análises ligadas ao crédito, o que facilita a compreensão dessas operações e aumenta o interesse dos investidores. Como exemplo, ele destacou uma recente operação estruturada pela companhia no valor de R$ 180 milhões para seguro de crédito. Segundo o executivo, tratava-se de uma operação complexa, em um segmento cuja capacidade tradicional já estava esgotada, permitindo criar uma capacidade que “não existia” anteriormente no mercado.
Na avaliação da empresa, o seguro-garantia judicial segue lógica semelhante. Como também possui características ligadas ao risco de crédito, o segmento aparece como outro mercado com forte potencial para novas operações envolvendo LRS.
Mas os planos não se limitam aos seguros financeiros. A Galápagos afirma que já avalia operações em outras frentes, incluindo seguros empresariais, residenciais, Vida e linhas ligadas ao mercado de Property & Casualty (P&C).
Takatsu ressaltou que um dos principais diferenciais da LRS está na versatilidade do instrumento. Segundo ele, a ferramenta pode ajudar “todos os setores” e ser estruturada de formas diferentes conforme a necessidade de cada operação.
Entre os novos focos da companhia, o agro aparece como uma das prioridades. O executivo destacou que o segmento ainda enfrenta desafios importantes relacionados à capacidade disponível e afirmou que a expectativa é transferir parte desse risco para o mercado de capitais.
A empresa também analisa estruturas voltadas para riscos catastróficos e outros setores que convivem com limitações semelhantes. Segundo Takatsu, a proposta é usar o mercado de capitais para complementar a demanda existente, especialmente em cenários de alta exposição ou concentração de riscos.
Para a Galápagos, a LRS não surge como concorrente do resseguro tradicional, mas como uma alternativa adicional para ampliar a proteção disponível no país. A visão da companhia é que o instrumento pode atuar em oportunidades onde o mercado convencional encontra limites e ajudar a diversificar fontes de capacidade para o setor de seguros.
LRS avança em crédito, agro e garantia e amplia capacidade do mercado de seguros
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