Um caso de recusa de sinistro após a esposa do segurado estar ao volante, sem constar no perfil de condutor informado na apólice, chamou atenção para a importância de declarar corretamente quem utiliza o veículo. O caso divulgado através de uma matéria no portal O Antagonista em 5 de agosto, reforça que divergências entre o perfil informado na contratação e a forma como o carro é efetivamente utilizado podem ser consideradas na análise de um sinistro. Para o presidente do Sincor-PE, Carlos Valle, o cuidado com essas informações deve começar ainda na contratação do seguro. “A maioria das seguradoras não dão cobertura quando há uma divergência de preenchimento de perfil. Não todas, mas a maioria aí pode se prevalecer disso”, afirma.
Valle ressalta, entretanto, que a análise depende das características de cada situação e do perfil do motorista. Uma pessoa com idade e características semelhantes às do condutor principal pode representar uma situação de risco diferente daquela envolvendo um motorista mais jovem, por exemplo.
Por isso, a declaração dos condutores deve refletir, dentro das regras estabelecidas pela seguradora, a realidade de utilização do veículo. A questão pode surgir em diferentes situações do dia a dia, como quando um familiar passa a dirigir o carro com frequência, durante uma viagem em que outra pessoa assume o volante ou mesmo quando terceiros utilizam o automóvel.
É justamente nesse contexto que a atuação do corretor ganha importância. Para Valle, o profissional deve conhecer a rotina do cliente e identificar situações que precisam ser consideradas na contratação, evitando que uma informação relevante só seja discutida quando ocorrer um sinistro. “O corretor é a peça principal para poder moldar o seguro para atender o cliente, tanto da forma que ele acha que é possível, que é necessário, quanto da forma que é necessário de fato e ele não percebeu”, afirma.
Segundo o executivo, a avaliação do seguro não deve se limitar à possibilidade de colisão ou roubo do veículo. Na contratação, também é importante considerar situações relacionadas a danos a terceiros, atropelamentos, necessidade de reboque, carro reserva e valores de responsabilidade civil.
Um dos exemplos mais comuns envolve veículos compartilhados entre integrantes da mesma família. Quando marido e mulher utilizam o mesmo automóvel, por exemplo, é importante verificar com a seguradora como o segundo motorista deve ser considerado na apólice. Dependendo das características e da frequência de uso, ele poderá ser enquadrado de maneira diferente.
O cuidado também deve continuar depois da emissão da apólice. Mudanças na rotina podem alterar o perfil de risco durante a vigência do seguro. Se o condutor principal ficar impossibilitado de dirigir durante um período prolongado e outro familiar passar a utilizar o veículo com frequência, por exemplo, a seguradora deve ser comunicada. “Tem que pedir à seguradora para incluir ela como condutora principal”, explica Valle.
Para o corretor, conhecer esses detalhes permite ir além do simples preenchimento da proposta. O profissional pode questionar o cliente sobre sua rotina, apresentar situações práticas e explicar quais mudanças precisam ser comunicadas à seguradora. “Ela fez o certo, avisar, porque o melhor seguro que tem é o seguro bem contratado”, destaca Valle.
Na avaliação do executivo, essa orientação também faz parte do papel consultivo do corretor. O profissional precisa estar preparado para esclarecer dúvidas do cliente e ajudá-lo a compreender as condições do seguro antes que um problema apareça. “O corretor, mesmo que não responda na hora, há de responder para que ela não só contrate de forma correta, mas também tenha conhecimento do que deve ou não fazer”, afirma.
A declaração correta dos condutores, portanto, vai além de uma informação burocrática da apólice. Ela ajuda a manter o seguro compatível com a forma como o veículo é utilizado e permite que o cliente tenha maior clareza sobre as condições da proteção. Para o corretor, também representa uma oportunidade de antecipar dúvidas e orientar o segurado antes que uma mudança na rotina seja discutida apenas no momento de um sinistro.

