Notícias | 17 de agosto de 2026 | Fonte: CQCS l Ana Mello

Esposa não declarada na apólice dirige carro e sinistro é recusado: especialistas explicam quando há perda de cobertura

Um caso divulgado no dia 5 de agosto, pelo portal O Antagonista reacendeu o debate sobre a importância da correta declaração dos condutores na contratação do seguro auto. Segundo a publicação, um homem teve o sinistro recusado após sofrer um acidente com o carro financiado, que era dirigido por sua esposa, não informada no perfil da apólice. A seguradora envolvida não foi identificada. Especialistas ouvidos pelo CQCS, porém, explicam que o simples fato de outra pessoa estar ao volante não é suficiente, por si só, para justificar a perda da cobertura. O que deve ser analisado é a frequência de uso do veículo, o perfil dos condutores e se as informações prestadas à seguradora correspondiam ao risco efetivamente contratado.

Quando marido e mulher compartilham regularmente o mesmo automóvel, por exemplo, essa condição precisa ser considerada na contratação. O perfil dos condutores é utilizado pela seguradora para avaliar o risco e definir o prêmio do seguro.

Segundo a O&P Seguros, é considerado principal condutor aquele que utiliza o veículo na maior parte do tempo. A corretora utiliza como referência mais de 85% do uso. Quando não há predominância entre os usuários habituais, a orientação apresentada pela empresa é considerar o condutor mais jovem.

A questão ganha ainda mais relevância quando há motoristas jovens, especialmente na faixa de 18 a 25 anos, que pode representar um risco diferente para as seguradoras.

Assim, se marido e esposa utilizam regularmente o veículo, não basta informar apenas o proprietário. É necessário avaliar a frequência de utilização de cada um e seguir os critérios estabelecidos pela seguradora.

Já uma pessoa que dirige o carro apenas eventualmente está em uma situação diferente. O uso ocasional não transforma automaticamente esse motorista em principal condutor.

Quando pode haver negativa?

Edson Fecher, diretor 1º Tesoureiro do Sincor-SP e conselheiro do Comitê Jurídico do Sincor-SP, explica que o questionário de avaliação de risco existe para que a seguradora conheça as características do veículo e de seus usuários. “O questionário existe para que o risco seja subscrito de forma a trazer para as reservas das seguradoras os valores corretos e fazer frente aos pagamentos de eventuais sinistros considerando o tipo de uso, idade do condutor e consequente experiência e padrão de uso que irão determinar a exposição e probabilidade das ocorrência cobertas pelo contrato.”

O segurado também tem o dever de comunicar alterações relevantes no risco durante a vigência da apólice. A Lei nº 15.040/2024 estabelece regras relacionadas ao agravamento intencional, relevante, significativo e continuado do risco.

Dessa forma, se o veículo passa a ser utilizado habitualmente por outro motorista e essa mudança deveria ter sido informada, a seguradora poderá analisar se houve alteração relevante do risco contratado.

José Nilson Teixeira, corretor de seguros da NILSEG Seguros, ressalta que a seguradora não impede que o cônjuge dirija o veículo.
“O problema ocorre quando essa pessoa, especialmente se for um condutor de maior risco, deveria ter sido considerada no perfil do seguro e isso não foi informado corretamente.”

Quando a negativa pode ser questionada?

Por outro lado, uma divergência no perfil não significa automaticamente que a seguradora possa recusar integralmente o sinistro.

Segundo José Nilson, é necessário avaliar a frequência de utilização do veículo, o perfil do condutor, as condições da apólice e se a informação não declarada efetivamente alterou o risco assumido pela companhia.

Se a esposa utiliza o carro apenas ocasionalmente, por exemplo, a situação é diferente daquela em que marido e mulher dividem o veículo diariamente.

Também é importante verificar se houve má-fé. O simples preenchimento incorreto ou a ausência de uma informação não significa, automaticamente, que o segurado tenha agido com intenção de enganar a seguradora.

Por isso, cada caso precisa ser analisado individualmente, considerando as informações prestadas na contratação, as condições da apólice e os motivos apresentados formalmente pela seguradora para eventual negativa.

O papel do corretor

O caso reforça a importância do corretor na contratação e na manutenção do seguro. Mais do que apresentar preços, o profissional deve identificar quem efetivamente utiliza o veículo, com que frequência e qual é o perfil dos condutores.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Esta é uma área exclusiva para membros da comunidade

Faça login para interagir ou crie agora sua conta e faça parte.

FAÇA PARTE AGORA FAZER LOGIN

Valorizamos sua privacidade

O CQCS utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, personalizar conteúdos e analisar o nosso tráfego. Ao continuar navegando, você concorda com o uso dessas tecnologias, de acordo com a nossa Política de Privacidade.

Personalizar preferências de consentimento

NecessárioSempre ativo

Estes cookies são essenciais para o funcionamento adequado do site, garantindo recursos básicos de segurança e acessibilidade. Eles não armazenam nenhuma informação pessoal identificável.

Funcional

Permitem que o site lembre das suas escolhas e forneça funcionalidades aprimoradas e personalizadas, como compartilhamento em redes sociais e integração de recursos de terceiros.

Sem cookies para exibir.

Analítico

Ajudam a entender como os visitantes interagem com o site, coletando e relatando informações de forma anônima. Fornecem dados sobre número de visitantes, tempo na página e fontes de tráfego.

Desempenho

Utilizados para compreender e analisar os principais índices de desempenho do site, ajudando a proporcionar uma experiência de navegação otimizada para os usuários.

Sem cookies para exibir.

Anúncio

Usados para fornecer anúncios mais relevantes aos visitantes com base em suas navegações anteriores, além de ajudar a medir a eficácia das campanhas publicitárias.

Sem cookies para exibir.