Notícias | 17 de julho de 2026 | Fonte: CQCS | Breno Fernandes

Gerenciamento de riscos vai além do seguro e fortalece cultura da prevenção no Brasil

O gerenciamento de riscos ainda é frequentemente associado ao ambiente corporativo, mas especialistas defendem que essa prática precisa fazer parte do dia a dia das pessoas. Mais do que reduzir prejuízos, a cultura da prevenção pode fortalecer a proteção financeira, diminuir perdas e ampliar o papel do mercado de seguros como agente de conscientização.

Para o consultor Francisco Galiza, essa mudança de visão beneficia diretamente a sociedade e também o setor de seguros. Segundo ele, quando os riscos são prevenidos, há redução da sinistralidade e, consequentemente, dos custos envolvidos na proteção.

“O gerenciamento de riscos costuma ser fortemente associado ao ambiente corporativo. No entanto, essa cultura deve ser expandida, pois beneficia diretamente a vida dos indivíduos, resultando na redução de sinistros e, consequentemente, no pagamento de prêmios menores.”

O Presidente do Conselho da Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR) e Risk Manager da Cemig, Haroldo Araújo, reforça que qualquer pessoa convive diariamente com situações capazes de gerar impactos financeiros, patrimoniais ou pessoais, o que torna a prevenção uma necessidade permanente.

“O indivíduo está exposto a riscos diversos, como acidentes domésticos, doenças inesperadas, perda de renda, roubos e eventos da natureza. Gerenciar riscos significa preservar o patrimônio, a qualidade de vida e a segurança financeira das pessoas.”

Na prática, essa cultura pode começar com atitudes simples. Manutenção preventiva em residências e veículos, instalação de equipamentos de segurança, organização financeira e cuidados com a saúde são exemplos que reduzem a probabilidade de perdas antes mesmo da contratação de um seguro.

Galiza cita um exemplo cotidiano para ilustrar esse conceito. “Quando se avalia a estrutura de um telhado para identificar melhorias antes que ocorram problemas, está se gerindo riscos. Trata-se de uma ferramenta extremamente prática e objetiva.”

Segundo Haroldo Araújo, pequenas empresas também podem adotar medidas preventivas, como manutenção de equipamentos, realização de backups, capacitação de funcionários e mapeamento dos principais riscos da operação, reduzindo prejuízos e aumentando a continuidade dos negócios.

Essa mudança também amplia o papel do corretor de seguros. Em vez de atuar apenas na comercialização de apólices, o profissional passa a orientar clientes sobre prevenção, identificação de vulnerabilidades e escolha das coberturas mais adequadas.

“Essa mudança cultural permite que os corretores cresçam junto aos seus segurados ao passarem a atuar sob uma perspectiva de consultoria de riscos. Ao avaliarem pequenos detalhes que possuem grande impacto potencial, os corretores agregam valor ao serviço”, afirma Galiza.

Para Haroldo Araújo, essa atuação fortalece a relação entre corretor e cliente. “O corretor deixa de ser apenas um vendedor de apólices e passa a atuar como consultor de riscos, ajudando clientes a identificar, prevenir e reduzir riscos antes mesmo da contratação do seguro.”

Na avaliação dos especialistas, a expansão dessa cultura também cria oportunidades para o mercado de seguros. Além de estimular produtos mais personalizados, abre espaço para serviços de prevenção, orientação e monitoramento, fortalecendo a relação entre seguradoras, corretores e clientes.

“Uma visão mais ampla sobre o gerenciamento de riscos abre excelentes oportunidades em todos os segmentos do mercado de seguros. Ela fomenta novos negócios, possibilita a redução de prêmios e permite que as seguradoras desenvolvam produtos focados na prevenção”, conclui Francisco Galiza.

E por último “O seguro não deve ser visto apenas como uma compensação após uma perda, mas como parte de uma estratégia mais ampla de gestão de riscos. Ao compreender os riscos aos quais estão expostas e as formas de mitigar, as pessoas passam a enxergar o seguro como um instrumento de planejamento e proteção financeira, e não apenas como um custo.” acrescentou Haroldo.

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