A previsão de um El Niño entre forte e muito forte durante a primavera e o verão da safra 2026/27 deve aumentar a atenção do mercado de seguros para os riscos climáticos no campo. Segundo Gabriel Perez, co-fundador da MeteoIA, os impactos não serão iguais em todo o país: enquanto o Centro-Norte apresenta tendência de condições mais secas, o Sul deve ter chuvas acima da média, principalmente entre novembro e dezembro.
Para o executivo, o cenário reforça a necessidade de analisar cada propriedade de forma individual, considerando localização, histórico climático, cultura e período do ciclo produtivo.
“Dessa forma, a seguradora consegue compreender melhor o risco que está assumindo e utilizar essa inteligência na subscrição e na precificação”, destaca.
Na soja, o déficit hídrico durante o florescimento aparece como um dos principais riscos. A redução das chuvas pode atingir áreas do Centro-Oeste, norte de São Paulo, Norte e Nordeste em uma fase sensível da cultura.
Outro fator de preocupação é a combinação entre falta de chuva e temperaturas elevadas. Segundo o estudo, novembro pode apresentar anomalias de temperatura próximas de 3 °C em diversas áreas, enquanto a probabilidade de temperaturas acima de 40 °C supera 50% em grande parte do Centro-Oeste entre setembro e novembro.
No Sul, a exposição muda. O relatório aponta aumento da probabilidade de chuvas intensas entre outubro e dezembro, além de episódios de vento forte.
“Para a seguradora, portanto, não basta saber que teremos influência do El Niño. É necessário entender onde está a propriedade, qual cultura está implantada, em que momento do ciclo ela estará quando determinado risco se intensificar e qual a vulnerabilidade daquela área”, explica a MeteoIA.
Perez também destaca o uso de modelos preditivos para transformar dados climáticos em informação para tomada de decisão. No estudo da safra 2026/27, o score de risco de quebra de safra aponta maiores níveis no Piauí, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
“Para o corretor, isso abre uma oportunidade especialmente interessante. Ele passa a ter informação para conversar com o produtor antes do sinistro, mostrando quais riscos estão aumentando e ajudando o cliente a compreender sua exposição”, afirma o co-fundador da companhia.
Segundo a empresa, a inteligência climática também pode apoiar o acompanhamento da carteira, a identificação de propriedades atingidas, a priorização de vistorias e a regulação de sinistros.
“Oportunidade não está apenas em vender mais seguro. Está em usar informação e tecnologia para tornar toda a jornada do Seguro Rural mais inteligente — da análise e precificação do risco ao acompanhamento da safra e à regulação do sinistro.”
Base técnica: Relatório MeteoIA — “El Niño e perspectivas climáticas: Ciclo da soja 26/27”, rodada de 01/09/2026.

