A chegada das entregas por drones ao Brasil começa a abrir uma nova frente de oportunidades para o setor de seguros. Com o início das operações do iFood em Barueri (SP), utilizando drones para transportar pedidos em áreas urbanas densamente povoadas, cresce também a necessidade de avaliar riscos relacionados a danos materiais, responsabilidade civil, falhas operacionais e proteção das cargas transportadas.
Embora a tecnologia ainda esteja em fase inicial no país, especialistas apontam que a expansão desse modelo pode acelerar a criação de novos produtos e ampliar a atuação dos corretores de seguros em um segmento que combina logística, mobilidade aérea e inovação.
Para o especialista e consultor em seguros Sérgio Ricardo, o movimento representa uma evolução natural da cadeia logística, mas também amplia a necessidade de proteção em diferentes etapas da operação.
“Já há algumas coberturas, nos seguros empresariais, para o delivery tradicional, com foco na proteção daquilo que está sendo entregue. Entendo que há muito a fazer neste mercado, porque a aceleração tecnológica da logística cresce rapidamente.”
Segundo ele, os riscos não se limitam apenas ao equipamento aéreo utilizado nas entregas. A proteção envolve toda a cadeia de movimentação das mercadorias, desde a armazenagem até a entrega final ao consumidor.
“Vale ressaltar que há a proteção das mercadorias (em Centros de Distribuição), o transporte entre fábricas ou portos para esses CD´s e deles até distribuidores intermediários e, destes, até chegar aos consumidores.”
Nesse contexto, produtos voltados à proteção de cargas, responsabilidade civil e operações logísticas podem ganhar ainda mais relevância à medida que drones e outras tecnologias passem a integrar o cotidiano das empresas.
Ricardo destaca que os novos modais de transporte ampliam a necessidade de soluções especializadas para diferentes agentes envolvidos na operação.
“Também há os veículos transportadores tradicionais e não tradicionais (drones, EVTOLs etc.), a Responsabilidade do Transportador e os riscos às pessoas. Tudo isso demanda soluções de seguros.”
Além das empresas de delivery, o ecossistema pode envolver operadores logísticos, restaurantes, plataformas digitais, centros de distribuição, fabricantes de equipamentos e até condomínios residenciais que passam a receber esse tipo de serviço. Em caso de acidentes, falhas de navegação ou danos a terceiros, coberturas de responsabilidade civil tendem a ganhar protagonismo.
Para os corretores de seguros, o avanço dessa tecnologia pode representar uma oportunidade de atuação consultiva em um mercado ainda em formação. Com o crescimento das entregas automatizadas, entender os riscos envolvidos e acompanhar a evolução regulatória poderá ser um diferencial competitivo para os profissionais que desejam atuar em segmentos ligados à inovação e à logística do futuro.

