Com mais de 5 mil parceiros envolvidos, programa da Zurich aposta na reciclagem e no reaproveitamento de materiais para ampliar o impacto ambiental e social da operação
Quando um celular quebra e não é possível aproveitar suas peças, o que é feito com esse resíduo? E com peças automotivas após uma batida parcial ou uma perda total? Quanto a sofás e colchões velhos, como esse estofado é gerido após os anos de uso? Essas são algumas das perguntas que a Zurich Seguros responde desde 2021, quando criou o Zurich Recicla.
O programa é focado no descarte correto e na transformação de resíduos de volta à indústria. Em cinco anos, o programa já tratou mais de 520 toneladas — 200 delas só em 2025 — em um trabalho que passa pela capacitação também da sua rede de mais de 5 mil parceiros, entre reparadores e oficinas credenciadas.
Adriana Heideker, diretora-executiva de Sinistros da Zurich Seguros, explica que a iniciativa foi criada a partir do entendimento de que o compromisso da companhia não acaba no momento em que acontece o sinistro. “Olhamos como cada material pode voltar para a cadeia produtiva, se é possível remanufaturar ou se conseguimos separar os componentes. É parte do nosso impacto positivo incorporar esse cuidado após o pagamento do seguro ao cliente”, explica.
O Zurich Recicla recupera celulares e dispositivos eletrônicos, peças automotivas, sucatas de automóvel (no caso de perda total) e estofados de móveis.
Os resíduos eletrônicos são a maior quantidade dos itens reciclados, com mais de 80% de taxa de retorno no processo. Já os resíduos automotivos são os grandes responsáveis pelo volume em toneladas dos itens, com mais de 183 toneladas só em 2025. Os móveis somaram 26 toneladas recuperadas, enquanto eletrônicos chegaram a 6 toneladas.
A companhia já disponibiliza mais de 100 urnas em assistências técnicas parceiras focadas no descarte de celulares velhos e eletrônicos, que recebe itens de clientes e não-clientes, mas também permite que os clientes façam o envio por correio quando não há um ponto de coleta próximo.
Impacto da cadeia de valor na reciclagem
Para funcionar na prática, não basta conscientizar o consumidor sobre a importância de ter seus bens sob a cobertura de seguros, mas também de um trabalho ativo com os fornecedores. São os parceiros — como assistências técnicas de celulares e eletrônicos, oficinas mecânicas e tapeceiros, no caso dos estofados — que destinam os resíduos para a reciclagem na ponta.
Cabe a Zurich, então, explicar a eles o que fazer quando parte ou a totalidade de um material vai para o descarte. Nas perdas automotivas, as oficinas cuidam da separação dos materiais, como alumínio, ferro, aço, vidro, plástico, componentes eletrônicos, itens de baterias e outras partes automotivas.
Já na recuperação de celulares e itens eletrônicos, as assistências técnicas tratam da destinação do plástico, vidro, cabos, cobre, placas e componentes eletrônicos.
O processo passa ainda por garantir que os parceiros só descartem o que realmente não pode ser reaproveitado. Se um item pode ter uma peça substituída ou recuperada, ele não será descartado, apenas a parte que apresentou defeito.
“Estamos mobilizando uma cadeia de empresas e profissionais a partir de treinamentos em técnicas de descarte sustentável, reciclagem, tratamento de resíduos e economia circular”, explica Heideker.
O processo ainda garante a criação de novos empregos. Jason Sampaio, diretor de sinsitros da Zurich, explica: “Quando começamos a recuperar também os estofados, entendemos que precisávamos capacitar profissionais para o trabalho como tapeceiros. Além de gerar renda para essas pessoas, também criamos o impacto social a partir da sua melhoria de vida”, conta.
A companhia também criou o projeto Moldando Futuros, que treina pessoas em vulnerabilidade e em início de carreira para que se tornem funileiros, garantindo renda extra dentro da área de recuperação de automóveis.
Financiamento para a reciclagem de sinistros
Sampaio explica que a companhia tem um custo a mais para destinar os itens corretamente, já que mesmo a revenda da matéria-prima para a indústria não é suficiente para repor os gastos com o Zurich Recicla. “É uma verdade que os recicladores nos pagam um valor específico pelo quilo de cada matéria reciclada, mas esse valor vai para custear o programa. Na conta final, a Zurich ainda está investindo”, explica.
Os benefícios vem em outras frentes, como garantir que os itens sejam reparados e não inicialmente descartados. “Reparar é mais rápido, barato e ecologicamente correto”, afirma Adriana.
Outra frente que reduziu custos e emissões é o diagnóstico remoto, no qual especialistas parceiros da Zurich realizam a verificação dos itens segurados por ligação e fotos, evitando o deslocamento até a casa do cliente. “O cliente tem cada vez mais interessente nesse diagnóstico. O especialista já orienta sobre a troca de peça e consegue dar uma orientação sobre o que fazer com o item”, conta a diretora-executiva.
Reconhecimento internacional
O Zurich Recicla recebeu duas grandes premiações que validam seu trabalho pela reciclagem automotiva e de eletrônicos sinistrados. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil reconheceu o Prêmio Eco para a iniciativa em 2023, garantindo que há provas para a contribuição da prática para o desempenho da companhia e a possibilidade de replicação em outras organizações.
Em 2024, a iniciativa também foi premiada pela Qorus Innovation in Insurance Awards, focada no setor de seguros, que reconhece seguradoras que demonstram inovação nas transformações de mercado do setor. O Zurich Recicla foi premiado na categoria Social, Sustentável e Responsável. “Para nós é importante primeiro implementar e depois contar para o mundo. Esses reconhecimentos mostram que o programa merece essa visibilidade e pode inspirar outras práticas no mercado”, explica Jason.
A companhia, segundo Heideker, acelera agora o trabalho para incluir outros tipos de componentes, como eletrodomésticos de linha branca (geladeira, freezer, fogão, lavadora, secadora, lava-louça, micro-ondas, ar-condicionado e climatizador) e de linha marrom (televisão, aparelho de som, DVD, home theaters e blu-ray). “Estamos trabalhando com muito afinco para expandir esse programa e trazer nosso compromisso com a sustentabilidade para novos itens”, explica.

