Notícias | 30 de junho de 2026 | Fonte: CQCS | Paulo Victor

Corretores de seguros ganham vantagem com uso estratégico de IA

A inteligência artificial deixou de ser uma tendência para se tornar uma ferramenta estratégica no mercado de seguros. Mais do que automatizar tarefas, a tecnologia já está ajudando os corretores a vender mais, atender melhor, identificar oportunidades dentro da própria carteira e ganhar produtividade. Especialistas ouvidos pelo CQCS afirmam que quem aprender a utilizar a IA de forma inteligente poderá conquistar uma vantagem competitiva significativa nos próximos anos.

Para o presidente do Sincor-SP, Boris Ber, a principal barreira ainda é cultural. Segundo ele, muitos profissionais acreditam que a inteligência artificial é uma tecnologia restrita às grandes empresas, quando, na realidade, ela já está acessível para qualquer corretor.

“O primeiro passo é perder o receio. A inteligência artificial não é um projeto para grandes empresas e pode ser incorporada gradualmente à rotina. O corretor pode utilizá-la para organizar informações, elaborar propostas, responder clientes com mais agilidade, produzir conteúdo e automatizar tarefas administrativas. Ao economizar tempo, sobra mais espaço para aquilo que realmente gera resultado: atender o cliente e fechar negócios”, afirma.

Boris destaca que um dos maiores equívocos é acreditar que a IA substituirá o corretor de seguros. Para ele, acontece exatamente o oposto.

“A inteligência artificial fortalece o trabalho do corretor ao assumir atividades repetitivas. O que continua insubstituível é a confiança. Quando alguém precisa proteger seu patrimônio, sua família ou sua empresa, busca orientação. E essa orientação continua sendo papel do corretor.”

Segundo o presidente do Sincor-SP, a tecnologia também pode se transformar em uma poderosa ferramenta de geração de receita ao analisar dados da carteira e identificar oportunidades que muitas vezes passam despercebidas.

“A IA permite transformar dados em oportunidades de negócio. Ela identifica clientes que precisam de novas coberturas, sugere ofertas complementares, ajuda na criação de campanhas personalizadas e melhora o relacionamento com o segurado. Quem consegue responder mais rápido, atender melhor e acompanhar sua carteira de forma inteligente naturalmente ganha vantagem competitiva.”

Na mesma linha, o diretor de Comunicação do Sincor-SP, Rogério Freeman, afirma que o maior desafio é fazer com que os corretores deem o primeiro passo e entendam que a inteligência artificial já faz parte da rotina do mercado.

“Muitos profissionais ainda imaginam que a inteligência artificial exige grandes investimentos ou conhecimentos avançados, mas hoje existem ferramentas simples que já geram ganhos importantes de produtividade. Quem começa utilizando IA para produzir conteúdo, organizar informações, estudar produtos e otimizar seu atendimento rapidamente percebe que sobra mais tempo para vender, fortalecer o relacionamento com os clientes e gerar novas oportunidades de negócios”, destaca.

Segundo Freeman, outro equívoco recorrente é acreditar que a tecnologia elimina a importância do corretor.

“O principal mito é acreditar que a inteligência artificial elimina o papel do corretor. Na verdade, ela potencializa sua atuação. A tecnologia amplia a capacidade de análise, organização e comunicação do corretor, permitindo identificar oportunidades dentro da própria carteira, responder com mais rapidez, criar campanhas segmentadas e fortalecer o relacionamento durante toda a jornada do segurado.”

O diretor ressalta ainda que o Sincor-SP vem investindo fortemente na capacitação da categoria para acelerar essa transformação digital.

“Nosso objetivo é traduzir um tema muitas vezes complexo em informações práticas para que o corretor possa aplicar esse conhecimento no dia a dia. Por isso, o Sincor-SP vem ampliando cursos na Academia Sincor-SP, promovendo debates no SINC Summit e no ConectaCor e disponibilizando ferramentas como a Sinc.IA, para que os profissionais estejam preparados para aproveitar as oportunidades dessa transformação.”

Para Genival de Souza e Silva, estrategista e educador do mercado de seguros, professor da ENS e cofundador da DHOMO INS, o maior erro é enxergar a inteligência artificial apenas como tecnologia. Na avaliação dele, o primeiro passo deve ser compreender qual é o verdadeiro valor que o corretor entrega ao cliente.

“O corretor precisa parar de tratar a IA como uma questão de tecnologia e começar a tratá-la como uma questão de posicionamento. Antes de qualquer ferramenta, ele deve entender por que o cliente compra dele e não de um canal digital. A IA não cria competência, ela amplia a competência que já existe.”

Segundo Genival, simplesmente adquirir uma plataforma de inteligência artificial não garante aumento nas vendas.

“Quem instala IA sobre uma operação que já virou commodity apenas fica mais rápido fazendo algo que está perdendo valor. A tecnologia gera produtividade, mas a receita só aparece quando existe estratégia comercial.”

Ele explica que o verdadeiro potencial da inteligência artificial está na capacidade de encontrar padrões dentro da carteira de clientes.

“A IA identifica sinais que o corretor dificilmente enxergaria sozinho: clientes subprotegidos, mudanças no perfil de risco ou oportunidades para venda consultiva. Mas quem transforma esse sinal em negócio continua sendo o corretor. A tecnologia aponta o caminho; a relação de confiança continua sendo humana.”

Na prática, a inteligência artificial já começa a transformar o dia a dia de corretoras que adotaram a tecnologia. É o caso da Noiva da Colina Corretora de Seguros.

Segundo Marcos Silveira, fundador da Noiva da Colina Corretora de Seguros, o ganho mais perceptível está na velocidade das respostas e na capacidade de identificar novas oportunidades dentro da própria base de clientes.

“A IA permite fazer prospecção em grande escala, responder clientes com rapidez e analisar a carteira para identificar o melhor momento de abordagem. Hoje, quem responde mais rápido e entende melhor o cliente sai na frente.”

O fundador explica que a corretora também utiliza inteligência artificial para monitorar a qualidade do atendimento e corrigir falhas antes que elas afetem os resultados.

“Usamos a IA para identificar gargalos, como demora nas respostas ou falhas no contato com o cliente. Isso melhora a experiência do segurado, evita perda de vendas e torna o atendimento mais eficiente.”

Embora os especialistas apontem caminhos diferentes para a adoção da tecnologia, todos convergem em um ponto: a inteligência artificial não elimina o papel do corretor, mas amplia sua capacidade de gerar negócios.

Enquanto a IA assume tarefas repetitivas, organiza informações, cruza dados e identifica oportunidades, o corretor ganha tempo para exercer aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: compreender as necessidades do cliente, construir relacionamentos de confiança e oferecer uma consultoria qualificada. Para quem souber combinar inteligência artificial com atendimento humano, o resultado pode ser uma carteira mais rentável, maior produtividade e um crescimento consistente da receita nos próximos anos.

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