O papel estratégico do corretor de seguros diante das transformações do setor foi o tema central do painel “Presente e Futuro do Mercado de Seguros – O Corretor no Centro da Decisão”, realizado nesta quinta-feira (5), durante o segundo dia do CQCS Inovação 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O debate reuniu Robert Bittar, presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS); Boris Ber, presidente do Sincor-SP; e Marco Antonio Gonçalves, presidente do Conselho Consultivo da MAG Seguros.
Ao longo da discussão, os participantes destacaram que, em um mercado cada vez mais diversificado e marcado pelo avanço tecnológico, o corretor precisa ampliar sua capacidade de adaptação, aprofundar conhecimentos e fortalecer sua relação com os clientes. A avaliação compartilhada foi de que a tecnologia transforma a dinâmica do setor, mas o relacionamento humano e a capacidade de oferecer soluções continuam sendo diferenciais importantes da atividade.
Marco Antonio Gonçalves ressaltou que o profissional de corretagem terá uma atuação cada vez mais voltada à identificação de necessidades e à oferta de soluções. Para ele, as mudanças em curso exigem uma nova postura dos profissionais e das empresas que atuam no mercado.
“O corretor será o grande provedor de soluções. O que nos trouxe até aqui hoje não nos levará aos próximos 10 ou 15 anos”, afirmou. A declaração reforça a necessidade de preparação para um cenário em que a capacidade de compreender o consumidor e apresentar alternativas adequadas será cada vez mais relevante.
Robert Bittar chamou atenção para a diversidade que caracteriza atualmente o setor de seguros, especialmente diante da quantidade de produtos e possibilidades de atuação disponíveis. Segundo ele, esse cenário exige que os profissionais compreendam as particularidades de cada segmento, sem generalizar estratégias de distribuição.
“O setor ficou muito diverso. A infinidade de produtos que são lançados nesse mercado é impressionante. Hoje existe espaço para a distribuição massiva de determinados produtos, mas não podemos generalizar”, destacou.
O presidente da ENS também abordou a relação entre inteligência artificial e atividade humana, defendendo que a tecnologia não elimina a importância do corretor. Para Bittar, diante do volume crescente de informações, o profissional precisa desenvolver conhecimentos específicos e construir uma atuação mais consultiva.
“O ser humano não será substituído pela IA jamais. Não existe mais forma de dominar todas as informações. Você tem que dominar nichos de trabalho e ter uma postura construtiva perante o cliente”, pontuou.
Na avaliação de Boris Ber, a discussão sobre o futuro da corretagem precisa considerar as transformações que já estão acontecendo. O presidente do Sincor-SP destacou que o futuro da profissão não deve ser tratado como algo distante, mas como uma realidade que exige iniciativas e preparação no presente.
“A gente está vivendo um momento em que todos estão falando do futuro, mas o futuro é hoje. O futuro do corretor de seguros é o hoje. O que vem pela frente vai garantir a nossa presença. O que vem pela frente é bom”, afirmou.
As discussões reforçaram que, mesmo diante das mudanças tecnológicas e da ampliação das possibilidades de distribuição, o corretor permanece como uma peça fundamental na construção do relacionamento entre consumidores e empresas. Mais do que intermediar contratos, o profissional é chamado a compreender necessidades, orientar decisões e oferecer soluções adequadas a diferentes perfis de clientes.
O painel evidenciou, assim, que o futuro da corretagem passa pela capacidade de acompanhar as transformações do mercado sem perder de vista o valor da confiança, do conhecimento especializado e da proximidade com o consumidor.

