A maior Copa do Mundo da história, disputada simultaneamente nos Estados Unidos, México e Canadá, mobiliza bilhões de torcedores e cifras igualmente bilionárias fora das quatro linhas. Por trás do espetáculo, o mercado de seguros desempenha um papel estratégico para proteger clubes, organizadores, patrocinadores e toda a operação envolvida no torneio, que reúne 48 seleções.
Segundo a Alper Seguros, a gestão de riscos de um evento dessa dimensão vai muito além da proteção dos atletas e envolve coberturas para logística, equipamentos, responsabilidade civil, ataques cibernéticos e até gerenciamento de crises.
Ao contrário do que muitos imaginam, a principal proteção relacionada aos jogadores beneficia os clubes que cedem seus atletas às seleções.
“A proteção mais conhecida em uma Copa não é, em primeiro lugar, da seleção — é dos clubes que cedem os atletas. Se o jogador sofre uma lesão grave durante o torneio, existe um mecanismo da FIFA que pode compensar o clube pelo período em que ele fica fora. No entanto, esse programa possui limites, carência e várias lacunas”, explica André Lins, Vice-Presidente de Riscos da Alper Seguros.
“Quando estamos falando de atletas de elite, o taeto desse mecanismo da FIFA frequentemente se mostra insuficiente. É aí que entram as coberturas complementares estruturadas no mercado internacional para cobrir a disparidade financeira.”
Outro tema que desperta curiosidade é o chamado seguro de partes do corpo. Embora a prática exista, o executivo explica que a avaliação das seguradoras é baseada no impacto financeiro que uma eventual incapacidade pode provocar.
“Seguro de partes do corpo existe, sim, mas o mercado trata isso de forma muito menos folclórica do que parece nas notícias. No fundo, o que as seguradoras avaliam não é o membro isolado, mas a perda econômica real causada por uma incapacidade específica. O cálculo considera o salário do atleta, o tempo de contrato restante, seu valor de mercado atual, histórico médico detalhado, a posição em campo e, claro, o impacto comercial de sua imagem.
Não se trata de definir ‘quanto vale a perna’, mas sim de calcular exatamente quanto prejuízo financeiro aquela lesão específica pode gerar para o ecossistema do jogador e de seus patrocinadores”, esclarece Lins.
Além dos gramados, as apólices cobrem riscos ligados ao transporte das delegações, extravio de equipamentos, danos a estruturas de transmissão, responsabilidade civil, falhas logísticas, violência política e ataques cibernéticos, especialmente em uma competição realizada em três países.
Segundo André Lins, até mesmo situações de crise de imagem contam com algum nível de cobertura, embora existam limitações. “Sobre crise de imagem, existe proteção focada nos custos de resposta e gerenciamento de crise para mitigar danos, mas o mercado não atua com algo tão simples quanto ‘segurar reputação’ contra qualquer polêmica”, destaca o diretor de Alper Seguros.
De acordo com a companhia, o prêmio pago por uma grande delegação pode chegar a alguns milhões de reais. Já a exposição financeira protegida — considerando atletas, operação logística, equipamentos e interesses comerciais — pode alcançar centenas de milhões de dólares.
“O erro mais comum ao analisar esse mercado é misturar o valor real em risco com o valor final da apólice”, conclui Lins.
A Alper destaca ainda que, embora uma eliminação esportiva não seja passível de indenização, o mercado oferece coberturas de contingência para situações como adiamentos, interrupções ou cancelamentos do torneio por eventos de força maior, protegendo os investimentos de patrocinadores, emissoras e parceiros comerciais.

