O Banco Central do Brasil autorizou o início da fase de produção assistida das duplicatas escriturais, etapa decisiva para a implantação do novo modelo de registro de recebíveis no país. A iniciativa, conduzida pela Núclea, empresa de soluções em dados e tecnologia que atua no mercado de seguros, já conta com 82% das instituições financeiras com estratégias e investimentos estruturados para operar no novo ambiente, segundo pesquisa realizada pela empresa em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPad) e a Môre Consultoria.
A Núclea foi anunciada pelo Banco Central do Brasil como registradora responsável pela implantação do ecossistema brasileiro de duplicatas escriturais e já iniciou a etapa de produção assistida, fase que permite validar, de forma coordenada e segura, o funcionamento do sistema antes da operação plena.
O novo modelo é considerado um dos principais movimentos de modernização da infraestrutura de crédito no país e tem potencial para transformar um mercado estimado em mais de R$ 11 trilhões por ano. A estrutura envolve cerca de 1,5 milhão de empresas emissoras e mais de 18 mil grandes empresas sacadoras, criando um ambiente mais transparente, seguro e eficiente para a circulação de recebíveis.
Segundo o CEO da Núclea, André Daré, a autorização representa um marco para a evolução do sistema financeiro brasileiro.
“Recebemos essa autorização para exercício da atividade de escrituração de duplicata escritural com grande responsabilidade, pois marca o início de uma nova etapa para a modernização da infraestrutura de crédito do país. Estamos falando de uma iniciativa com potencial para transformar um mercado estimado em mais de R$ 11 trilhões por ano, envolvendo milhões de empresas e tornando o ambiente de crédito mais seguro, transparente e eficiente”, afirmou.
A pesquisa “Duplicatas 2026”, realizada pela Núclea em parceria com o IBPad e a Môre Consultoria, aponta que o mercado financeiro já se prepara para a adoção do novo modelo. Entre as instituições financeiras entrevistadas, 82% afirmam possuir planejamento estruturado para atuar com duplicatas escriturais.
O levantamento também mostra que o sucesso da implementação será medido pelos impactos na economia real. Para 63% dos entrevistados entre instituições financeiras e associações, o principal indicador será o aumento do volume de crédito disponível no mercado. Já 41% apontam a redução do custo do crédito como um dos principais resultados esperados.
Além disso, 88% das instituições financeiras e associações acreditam que o novo modelo ampliará a distribuição de crédito no país, impulsionado pela redução da assimetria de informações, aumento da concorrência entre financiadores e entrada de novos participantes no mercado de recebíveis.
“A duplicata escritural já deixou de ser apenas uma agenda regulatória e passou a ser uma transformação estratégica do mercado de crédito corporativo. Existe uma expectativa muito clara de aumento de eficiência, competição e circulação de crédito”, afirma Rodrigo Furiato, vice-presidente de Negócios da Núclea.
A expectativa é que a digitalização dos recebíveis permita ampliar o uso das duplicatas como garantia em operações financeiras, aumentando as alternativas de financiamento para empresas de diferentes portes. O novo modelo também deve contribuir para reduzir a dependência de relações bancárias concentradas e ampliar a competição no mercado.
A pesquisa mostra ainda que instituições financeiras, empresas e associações enxergam diferentes oportunidades no novo ecossistema. Entre os serviços mais valorizados estão inteligência de dados, qualificação de títulos, gestão de colateral, monitoramento de recebíveis, automação e maior transparência das informações.
Empresas demonstram preocupação com riscos operacionais e fraudes, buscando ferramentas que permitam acompanhar a movimentação dos recebíveis e identificar operações fora do padrão. Já associações destacam a importância do compartilhamento de dados para ampliar a segurança jurídica e permitir que novos financiadores participem do mercado.
A implementação também dependerá da integração entre os diferentes participantes. Segundo o estudo, 63% dos entrevistados apontam a coordenação entre players e a tecnologia como fatores essenciais para o sucesso do modelo.
“A duplicata escritural representa um marco para o ecossistema financeiro e para a Núclea. Além da adequação à regulação, a tendência é termos custos menores para quem toma o crédito. São R$ 11 trilhões entrando no mercado com mais financiadores podendo utilizar essas duplicatas”, afirma Joyce Saika, vice-presidente Financeira, Jurídica e de Relações Institucionais da Núclea.
A pesquisa também destaca o potencial da duplicata escritural para ampliar o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas. A expectativa é que a maior disponibilidade de informações permita avaliações de risco mais precisas e reduza barreiras para empresas que hoje encontram dificuldades para obter financiamento.
Dados da Núclea mostram que empresas com faturamento de até R$ 200 mil já ampliaram o uso de duplicatas como instrumento de financiamento. Entre 2024 e 2025, esse grupo registrou crescimento de 49% na quantidade de operações e de 125% no valor financeiro movimentado pelos títulos.
Apesar do potencial, o estudo aponta desafios relacionados à adaptação das empresas ao novo sistema. Enquanto 82% das instituições financeiras já possuem planos estruturados, a preparação das empresas sacadas ainda é menor, o que pode gerar uma adoção desigual no início da operação.
“O mercado reconhece o potencial da duplicata escritural, mas também demonstra preocupação com a execução operacional da transição. A interoperabilidade e a coordenação entre participantes serão fundamentais para garantir confiança no sistema”, avalia Furiato.
A entrada em vigor do novo modelo representa uma mudança estrutural na forma como recebíveis são registrados e utilizados no mercado brasileiro. A expectativa é que a duplicata escritural fortaleça a infraestrutura financeira do país, amplie o acesso ao crédito e gere novas oportunidades para empresas de diferentes segmentos, incluindo o setor de seguros, que utiliza soluções baseadas em dados e tecnologia para aprimorar processos, gestão de riscos e eficiência operacional.

