A duplicata escritural deve acelerar o uso de informações estruturadas e ampliar a integração tecnológica entre participantes do mercado financeiro, segundo a Pesquisa de Duplicatas 2026, realizada pela Núclea, empresa que atua com infraestrutura tecnológica, inteligência de dados e soluções para diferentes segmentos, incluindo o setor de seguros, em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPad) e a Môre Consultoria.
O estudo, realizado com instituições financeiras, associações e empresas, mostra que mais de 60% dos entrevistados apontam a coordenação entre players e a tecnologia como os principais fatores para o sucesso da implementação da nova infraestrutura do crédito corporativo.
“Esse mercado envolve aproximadamente 1,5 milhão de empresas emissoras e mais de 18 mil grandes empresas sacadoras. Com a duplicata escritural, o mercado de recebíveis como garantia pode ser destravado, gerando a oportunidade de muitos títulos que hoje estão fora serem efetivamente negociados”, afirma Rodrigo Furiato, vice-presidente de Negócios da Núclea.
A interoperabilidade aparece como elemento central para garantir confiança operacional, integração de sistemas e compartilhamento padronizado de informações entre instituições financeiras, empresas e registradoras.
Na avaliação do mercado, a duplicata escritural deve representar uma reconfiguração da infraestrutura do crédito corporativo brasileiro, criando um ambiente mais integrado, transparente e conectado.
A integração de tecnologias e a colaboração estratégica entre os participantes são apontadas por mais de 60% dos entrevistados como determinantes para esta nova fase do crédito empresarial.
“A interoperabilidade passa a ser uma camada central da nova infraestrutura do crédito corporativo. O mercado entende que o sucesso da duplicata escritural dependerá diretamente da capacidade de integração entre sistemas, registradoras, participantes e fluxos operacionais”, afirma Furiato.
O novo modelo permitirá que informações, antes dispersas, passem a circular de forma padronizada e interoperável, ampliando eficiência operacional e reduzindo assimetrias de informações entre os participantes do sistema financeiro.
Preparação das instituições financeiras
O estudo mostra ainda que 82% das instituições financeiras entrevistadas, incluindo bancos, cooperativas de crédito e empresas de varejo financeiro, já tratam a duplicata escritural como um tema estratégico e possuem um roadmap estruturado ou parcialmente estruturado para implementação, com estratégias, investimentos e cronogramas definidos para atuação no novo modelo.
O dado sinaliza que a duplicata escritural deixou de ser vista apenas como uma exigência regulatória e passou a ocupar um papel relevante nas estratégias de crescimento das instituições, sendo percebida como uma oportunidade de expansão, modernização e aumento da competitividade no mercado de crédito corporativo.
Entre os entrevistados que citaram interoperabilidade em uma lógica negativa, o nível de preocupação aparece associado principalmente à liquidação, conciliação e testes operacionais.
Os dados também mostram que a percepção do mercado em relação à interoperabilidade está diretamente ligada à confiança operacional do novo modelo. A pesquisa aponta que integração, liquidação e conciliação devem concentrar as principais fricções da implementação, enquanto experiências anteriores, como o mercado de recebíveis de cartões, ainda influenciam a percepção de risco de parte dos participantes.
“A expectativa do setor é que a combinação entre tecnologia, interoperabilidade e dados estruturados amplie eficiência, aumente a competitividade e modernize o mercado de crédito corporativo brasileiro. A tendência é que a evolução aconteça de forma gradual, acompanhando o amadurecimento operacional dos participantes”, analisa Furiato.

