Notícias | 5 de março de 2026 | Fonte: CQCS l Ana Mello

CFM cria regras para uso de IA na medicina e redefine limites da tecnologia na saúde

O uso de inteligência artificial na medicina acaba de ganhar um marco regulatório no Brasil. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou novas regras que estabelecem limites, responsabilidades e diretrizes éticas para o uso da tecnologia na prática médica. A análise foi detalhada pelo escritório Mattos Filho, que destacou os principais pontos da norma e os impactos para profissionais de saúde, instituições médicas e empresas que desenvolvem soluções tecnológicas para o setor.

Segundo o CFM, ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas para apoiar decisões clínicas, gestão em saúde, pesquisa científica e educação médica, desde que respeitem os limites éticos e legais da profissão. No entanto, a tecnologia não substitui o médico: a decisão final sobre diagnósticos, tratamentos e prognósticos continua sendo exclusivamente do profissional.

Outro ponto central da norma é a autonomia médica. O profissional terá o direito de recusar o uso de sistemas de IA que não apresentem validação científica adequada ou certificação regulatória, além daqueles que contrariem princípios éticos ou técnicos da medicina.

A regulamentação também reforça a importância da transparência e da proteção de dados. Sempre que a inteligência artificial for utilizada como apoio relevante no atendimento, o uso da ferramenta deverá ser registrado no prontuário do paciente, garantindo rastreabilidade e responsabilidade na tomada de decisões clínicas.

Além disso, médicos e instituições deverão garantir a segurança, integridade e confidencialidade das informações de saúde, evitando o uso de sistemas que não atendam aos padrões mínimos de proteção de dados sensíveis.

Para especialistas, a medida representa um passo importante para equilibrar inovação e segurança. Com a rápida expansão das tecnologias baseadas em inteligência artificial na área da saúde, a definição de regras claras tende a trazer maior segurança jurídica para médicos e empresas que atuam no desenvolvimento dessas soluções.

Na avaliação apresentada no blog do Mattos Filho, a norma cria um ambiente mais estruturado para a adoção da IA na medicina, ao mesmo tempo em que preserva princípios fundamentais da prática médica, como autonomia profissional, responsabilidade ética e proteção ao paciente.

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