O afastamento do volante Allan Souza, do Corinthians, de uma partida da Copa Libertadores devido ao traço falciforme trouxe à tona uma discussão importante sobre os riscos envolvidos na carreira esportiva. Embora a condição genética não seja considerada uma doença, ela exige cuidados específicos em situações de esforço físico intenso, desidratação, altitude elevada e outras circunstâncias que podem representar riscos à saúde do atleta. Problemas de saúde, condições genéticas e intercorrências clínicas também podem impactar temporária ou permanentemente a capacidade de atuação dos atletas, tornando o planejamento financeiro e a proteção securitária cada vez mais relevantes.
Segundo Liciane da Luz, Head de Negócios da Atleta Seguro, casos como o de Allan reforçam a necessidade de os atletas pensarem em mecanismos de proteção financeira ao longo da carreira. “A carreira esportiva é uma das atividades profissionais mais expostas a riscos físicos e biológicos. Embora o foco normalmente esteja nas lesões musculares, ligamentares e traumáticas, situações decorrentes de doenças, problemas cardiovasculares ou outras intercorrências médicas também podem gerar afastamentos prolongados ou até mesmo encerrar precocemente uma carreira”, explica.
A especialista destaca que o caso demonstra que nem todo risco está relacionado a acidentes. “Existem condições de saúde identificadas ao longo da carreira que podem limitar a participação do atleta em determinadas competições ou ambientes de risco. A proteção financeira permite preservar o patrimônio construído ao longo da carreira e assegurar estabilidade econômica em momentos de vulnerabilidade”, acrescenta.
Entre as principais soluções disponíveis para os atletas estão o seguro de vida, o seguro de acidentes pessoais e as coberturas para invalidez permanente, especialmente aquelas voltadas para a incapacidade profissional na prática esportiva. “Os principais seguros para atletas são aqueles voltados à proteção da vida, da capacidade laboral e da estabilidade financeira ao longo da carreira. Destacam-se o seguro de vida, o seguro de acidentes pessoais e as coberturas para invalidez permanente, especialmente a invalidez profissional para a prática esportiva, que garante indenização caso o atleta fique impossibilitado de exercer sua profissão em decorrência de acidente ou doença coberta”, afirma Liciane.
Ela ressalta ainda que as coberturas obrigatórias contratadas pelos clubes muitas vezes atendem apenas às exigências legais mínimas, levando muitos atletas a buscar soluções complementares para adequar a proteção ao seu padrão de vida e realidade financeira.
Outro ponto importante levantado pelo caso Allan é o impacto que condições de saúde ou fatores genéticos podem ter na contratação de seguros. Segundo Liciane, cada situação é analisada individualmente pelas seguradoras e resseguradoras especializadas.
“Condições genéticas, doenças pré-existentes ou fatores de risco identificados em exames médicos podem resultar em aceitação integral do risco, aceitação com condições diferenciadas, aplicação de cláusulas de exclusão específicas, ajustes de capital segurado, agravamento de prêmio ou até recusa de determinadas coberturas. No entanto, possuir uma condição genética não significa automaticamente impossibilidade de contratação”, esclarece.
A especialista explica que, no mercado esportivo, a análise costuma ser ainda mais criteriosa devido à elevada exigência física da atividade e ao valor econômico representado pelos atletas para clubes, patrocinadores e investidores.
Nesse cenário, o corretor de seguros desempenha papel estratégico na orientação dos profissionais do esporte. Para Liciane, sua atuação vai muito além da simples intermediação da contratação. “O corretor especializado em seguros esportivos atua como consultor de riscos. Sua função é avaliar os riscos específicos da atividade esportiva, considerando fatores como modalidade, histórico médico, remuneração e momento da carreira, para estruturar coberturas adequadas à realidade de cada atleta”, destaca.
Além de auxiliar na escolha das coberturas mais adequadas, o corretor também orienta sobre exclusões contratuais, acompanha a evolução da carreira do atleta e oferece suporte em eventuais processos de sinistro. “Ele contribui para que atletas e entidades esportivas estejam em conformidade com as exigências legais e com as melhores práticas de gestão de riscos, proporcionando maior segurança financeira e patrimonial para todos os envolvidos”, conclui.
Caso Allan acende alerta sobre riscos na carreira esportiva e reforça importância do seguro para atletas
Notícias relacionadas
-
Seguradora ALM destaca importância do seguro de vida como ferramenta de proteção e planejamento familiar
-
Quando a Previdência Passa a Financiar o Risco: Uma Crítica Atuarial ao Projeto de Lei nº 2.502/2026
-
4 erros no seguro-viagem que podem te deixar sem cobertura
-
Seguro do Novo Polo Comfortline TSI 1.0 tem queda de até 20%
-
Corinthians reacende debate sobre risco reputacional e ESG após ação antirracista na Neo Química Arena
-
Sem seguro, loja oficial do Corinthians é furtada; veja detalhes
-
Acidente com vítima envolvendo jogador do Corinthians levanta discussão sobre seguro
-
Corinthians contrata seguro para quitar salários atrasados
-
Acidentes fatais de atletas chamam atenção e casos reforçam necessidade de seguro para esportistas

