O apagão que atingiu o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), na terça-feira (22), provocou filas e atrasos nos embarques, com possibilidade de efeito cascata ao longo do dia. Embora o seguro viagem ofereça coberturas para algumas situações de atraso ou cancelamento de voos, falhas de energia em aeroportos, como a registrada em Viracopos, ainda não costumam estar contempladas nos planos disponíveis no Brasil. Renato Spadafora, fundador da Decole Assessoria de Seguros Viagem, destaca a importância do passageiro conhecer as condições da apólice antes de viajar.
De acordo com o NC News, a interrupção começou por volta das 3h10 e afetou sistemas de check-in, equipamentos de inspeção e painéis de informações. As pistas permaneceram operacionais, mas a demora no embarque provocou atrasos que poderiam repercutir nos voos seguintes.
Segundo Spadafora, os seguros de viagem comercializados no país geralmente oferecem proteção para atrasos ou cancelamentos decorrentes de situações como mau tempo, greves e problemas técnicos ou mecânicos inesperados nas aeronaves. No entanto, a cobertura não se estende a interrupções provocadas por apagões em aeroportos.
“Essa é uma garantia ainda não disponibilizada e esperemos que possa ser criada em breve”, afirma o executivo.
Nas situações atualmente previstas nos contratos, a cobertura pode reembolsar despesas com hospedagem, traslado entre aeroporto e hotel e alimentação, desde que realizadas após o período de franquia e não tenham sido custeadas pela companhia aérea. O tempo mínimo de atraso exigido varia conforme a seguradora, podendo ser de seis, oito ou 12 horas. A proteção também costuma ser restrita a voos regulares, não abrangendo voos fretados ou de táxi-aéreo.
O executivo ressalta ainda que a cobertura de interrupção de viagem tem uma finalidade diferente: ela pode indenizar serviços já pagos e não utilizados quando o segurado precisa retornar antes do previsto à cidade de origem. Isso pode incluir passagens, cruzeiros ou diárias de hotel, conforme as condições contratadas.
Diante das diferenças entre as coberturas, Spadafora destaca que o corretor tem papel importante na orientação dos passageiros, especialmente porque o seguro viagem também é oferecido por bancos, cartões de crédito, plataformas digitais e companhias aéreas.
“É de fundamental importância o corretor conversar ao máximo com o seu cliente sobre a sua necessidade e, assim, alertar bem como o produto funciona e deve ser acionado, evitando geração de expectativa fantasioso e frustração de coberturas inexistentes.”
O caso de Viracopos evidencia que nem todo imprevisto durante uma viagem está protegido pelo seguro. Para evitar surpresas, o passageiro deve verificar os eventos previstos, os prazos de acionamento e as despesas reembolsáveis, enquanto o corretor pode ajudar a esclarecer os limites da proteção antes da contratação.

