O CQCS Inovação 2025 promoveu, no dia 12 de novembro, em São Paulo, o painel “A Escalada da Distribuição”, que reuniu Fernando Assis Fraguas, sócio-fundador da Coneccta, João Moreira, general manager de Seguros da Pipefy, e Luciana Amano, vice-presidente de Parcerias para Canais Massificados da Prudential no Brasil e na América Latina. O debate abordou como a transformação digital vem reinventando o setor de seguros por meio de soluções que ampliam as possibilidades de distribuição, eficiência e escala.
Segundo Fernando Assis Fraguas, o momento é de reorganização e colaboração entre os profissionais do setor. “O corretor de seguros, de maneira geral, ainda está muito concentrado em cuidar do que já tem dentro de casa. Mas, para ganhar força e competitividade, ele precisa se unir”, afirmou.
O executivo destacou o surgimento de grupos de corretores como uma tendência irreversível: “Hoje já existem no Brasil grandes grupos que reúnem centenas ou até milhares de corretores. Essa união permite reduzir investimentos em tecnologia, ampliar a produção e fortalecer o acesso a novos produtos e seguradoras.”
Fraguas ressaltou que essa é uma estratégia de sobrevivência e crescimento para os profissionais de pequeno e médio porte. “A agregação é o caminho mais curto para escalar resultados. Em grupo, o corretor consegue tecnologia de ponta com custo reduzido e passa a explorar melhor a carteira que já possui. Há uma mina de ouro dentro das corretoras que ainda não foi explorada”, observou.
Para João Moreira, o desafio das seguradoras e corretoras é combinar multicanalidade, personalização e automação com eficiência e governança. “O cliente de hoje quer uma conversa contextualizada. Ele espera uma resposta que se encaixe exatamente no seu momento, na sua apólice e na sua necessidade”, explicou.
Moreira destacou que a inteligência artificial está mudando a forma de operar a distribuição. “A IA deixou de ser um copiloto e passou a atuar como um agente capaz de tomar decisões, automatizar etapas e otimizar tarefas repetitivas. Isso eleva a produtividade e garante uma experiência mais ágil ao consumidor.” Ele lembrou que a regulação também avança nesse sentido. “As novas regras da Susep exigem mais governança, SLAs e rastreabilidade. Isso força o mercado a adotar processos digitais mais seguros e integrados”, disse.
Já Luciana Amano trouxe uma perspectiva histórica sobre a evolução digital no setor. “Nos anos 2000, o digital era sinônimo de automação de processos. Depois, veio a fase de digitalização dos legados e da multicanalidade. Hoje, o cenário é de ecossistemas integrados, com consumidores cada vez mais digitais e exigentes”, afirmou.
A executiva ressaltou que fatores como o avanço do 5G, o uso massivo de smartphones e a popularização do Pix aceleraram o comportamento digital do brasileiro. “A pandemia foi o grande divisor de águas. O consumidor aprendeu a comprar e resolver tudo pelo celular. Isso impulsionou setores como bancos, varejo e, claro, seguros”, observou.
Luciana citou o exemplo da parceria entre a Prudential e o Mercado Pago, que representa um novo modelo de distribuição digital. “O seguro embutido nas plataformas se tornou uma realidade. Com tecnologia e inteligência artificial, conseguimos vender e pagar sinistros de forma 100% digital. Hoje, pagamos a maioria das indenizações em menos de meia hora”, revelou.
Para ela, o futuro da distribuição passa pela integração entre tecnologia, experiência do cliente e propósito. “O desafio agora é construir ecossistemas de seguros que conversem com diferentes perfis e momentos do consumidor. Cada aplicativo, cada serviço digital pode se tornar um canal de proteção. Essa é a nova escalada da distribuição”, concluiu.

