Mercado & Fomento | 2 de junho de 2025

IOF SOBRE VGBL: UM RETROCESSO NA PREVIDÊNCIA PRIVADA

Em um momento em que o mercado de seguros brasileiro se mobiliza para ampliar o acesso à proteção financeira e tornar os seguros mais acessíveis, especialmente aqueles com função social relevante, o governo federal surpreende com uma medida que segue na direção oposta: a cobrança de IOF sobre aportes mensais superiores a R$ 50 mil em planos VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). A mudança, publicada em maio, prevê uma alíquota de 5% sobre os valores excedentes, o que já levou algumas seguradoras a suspenderem temporariamente esse tipo de aporte, à espera de maior clareza sobre a aplicação da regra.

A decisão foi criticada por entidades do setor, como a Fenaprevi e a CNseg, que alertam para o impacto negativo na classe média e na formação de poupança de longo prazo. O VGBL tem sido amplamente utilizado como ferramenta de planejamento financeiro e sucessório, por permitir a transmissão de patrimônio com agilidade, sem a necessidade de inventário, e com vantagens fiscais. Ao penalizar os aportes maiores, o governo pode estar reduzindo a atratividade justamente de um produto que estimula a organização financeira e a autonomia do cidadão frente às incertezas da previdência pública.

É um movimento que contrasta com o que se vê em países mais desenvolvidos, onde o governo atua como incentivador da previdência complementar. Nos Estados Unidos, por exemplo, planos semelhantes contam com estímulos fiscais. Na União Europeia, políticas públicas reconhecem a importância da poupança privada para a sustentabilidade do sistema previdenciário. No Brasil, no entanto, a tributação crescente sobre instrumentos legítimos de proteção e planejamento parece desestimular justamente quem tenta se precaver.

Ao invés de promover segurança e previsibilidade, o novo IOF sobre o VGBL gera incertezas e fragiliza um setor que vinha crescendo e se consolidando como aliado da educação financeira. Em vez de dialogar com o mercado e estimular soluções de longo prazo, o governo opta por arrecadar no curto prazo, ainda que isso custe um futuro menos protegido para milhares de brasileiros. É hora de refletirmos se queremos um país que incentiva a responsabilidade financeira ou um que tributa quem tenta se planejar.

Marco Antonio Gonçalves

Atualmente, o especialista é presidente do Fórum Mário Petrelli, além de presidir o Conselho Consultivo da MAG Seguros. Desempenha ainda atividades como conselheiro no Conselho de Administração da SICOOB Seguradora e como diretor do Sindicato das Empresas de Seguros e Resseguros de São Paulo (SindsegSP). Formado em Direito, Marco já foi diretor na Câmara Americana de Comércio do Brasil (Amcham) e atuou como vice-presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Também esteve no cargo de diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e presidiu o Conselho Empresarial de Seguro e Resseguro da mesma instituição. No Grupo Bradesco Seguros, atuou por 40 anos, ocupando diversos cargos de direção, sendo que, quando se aposentou, ocupava o cargo de Diretor Geral da Bradesco Seguros.

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