Notícias | 14 de agosto de 2026 | Fonte: Conteúdo reescrito com IA

Venda da Amil pode movimentar até R$ 15 bilhões e fundos aceleram negociação antes das eleições

Advent e Bain Capital avançam na análise da operadora e querem concluir eventual aquisição antes de outubro, mas José Seripieri Júnior defende manter participação no negócio e mira recursos para expansão

Segundo informações publicadas pelo Estadão na última quinta-feira (13), uma possível negociação envolvendo a Amil pode movimentar ao menos R$ 10 bilhões e superar R$ 15 bilhões, colocando uma das maiores operadoras de saúde do país no centro de uma operação bilionária. Advent e Bain Capital, que se uniram para apresentar uma proposta pelo grupo, já avançaram para a etapa de revisão dos números da companhia e pretendem fechar um eventual acordo antes das eleições presidenciais, em outubro. Do outro lado da mesa, porém, o controlador da Amil, José Seripieri Júnior, não demonstra a mesma urgência para concluir a operação.

Os dois fundos negociam diretamente com Júnior há alguns meses. Segundo fontes, a transação é estimada em pelo menos R$ 10 bilhões, podendo ultrapassar R$ 15 bilhões. Considerando a faixa inferior, o valor representaria aproximadamente 6,5 vezes o lucro ajustado da companhia, abaixo das 16,5 vezes registradas pela Rede D’Or e em linha com a avaliação da Hapvida, conforme cálculos de analistas do JP Morgan divulgados em relatório após a Broadcast noticiar as negociações, em junho.

Um dos principais pontos ainda em discussão é o formato da eventual venda. Júnior estaria disposto a negociar cerca de 30% da Amil, enquanto Advent e Bain buscam adquirir 100% da companhia, repetindo uma estratégia já adotada pelos investidores em outras operações.

A diferença reflete visões distintas sobre o futuro da empresa. Enquanto os potenciais compradores buscam o controle integral, Júnior não enxerga a operação simplesmente como uma oportunidade de realizar lucro. A intenção seria fortalecer a Amil e manter sua trajetória de crescimento no mercado de saúde.

Atualmente, a Amil ocupa a terceira posição do setor em número de vidas, com pouco mais de 3,5 milhões de beneficiários. Desde que retornou das mãos da gigante americana United Health ao controle de brasileiros, em 2023, a companhia recuperou mercado, reduziu dívidas e voltou ao azul. Hoje, seu faturamento supera R$ 30 bilhões por ano, e a empresa é vista como uma das queridinhas do setor. As informações sobre o tamanho da operação e o momento das negociações foram divulgadas pelo Estadão.

De acordo com fontes próximas à negociação, o objetivo do controlador não seria simplesmente obter recursos com uma venda, mas utilizar o capital para acelerar o crescimento da Amil e buscar ativos que façam sentido para seu projeto de expansão. Entre as possibilidades estão aquisições de prestadores de serviços, como hospitais, clínicas e redes de diagnósticos.

A estratégia permitiria ampliar a escala e fortalecer a posição da companhia no mercado de saúde, aproximando seu modelo de estruturas como a da Rede D’Or, que, além da rede hospitalar, possui também a SulAmérica e tentou comprar o Fleury no ano passado.

A maior verticalização também permitiria a entrada da Amil em novas praças e poderia tornar a companhia mais robusta para uma futura abertura de capital. A operadora já esteve listada na Bolsa após realizar seu IPO em 2007, quando ainda estava sob o comando da família Godoy Bueno, fundadora do grupo.

No final de junho, em mensagem interna enviada aos funcionários, a própria Amil admitiu estar aberta a “construir parcerias estratégicas” com sócios, aumentando sua capacidade de investimento e expansão por meio da venda de uma participação minoritária, mas sem abrir mão do controle.

A aproximação entre Bain Capital e Amil não é recente. A gestora já havia tentado adquirir a companhia sozinha, mas as conversas não avançaram. Desta vez, uniu forças com a Advent.

A Bain também tem interesse em trazer profissionais que comandavam a Notredame Intermedica antes da união com a Hapvida. Irlau Machado Filho, que ocupava o cargo de CEO da empresa durante a gestão da Bain, é apontado como um nome forte para participar da administração em caso de conclusão do negócio.

A pessoas próximas ao empresário, a visão transmitida é de que os atuais donos da Amil já possuem patrimônio suficiente e pretendem continuar atuando no setor de saúde, ampliando a presença da companhia.

“Eles são do mercado de saúde, então esse é o jogo que eles sabem fazer, são bons nisso, e querem continuar. Não é como um fundo que chega num determinado momento precisa vender sua participação”, disse uma dessas fontes.

Nesse cenário, a entrada de um novo investidor seria uma forma de financiar um novo ciclo de crescimento da Amil, e não necessariamente de marcar a saída dos atuais controladores do negócio.

Procuradas, Advent e Bain não comentaram. A Amil não respondeu até a publicação do texto.

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