A Filantropia Premiável vem ganhando espaço como uma fonte de recursos para instituições do terceiro setor. No primeiro semestre de 2026, a modalidade movimentou R$ 1,56 bilhão, sendo aproximadamente R$ 740 milhões destinados a entidades beneficentes, segundo dados da Susep. Na prática, os recursos ajudam a financiar projetos que vão muito além da manutenção das atividades das instituições. Reformas, compra de equipamentos, qualificação de profissionais, atendimento em saúde, ações de inclusão estão entre as iniciativas beneficiadas, além de ajudar vidas.
Para o presidente da Federação Nacional das Apaes, Professor Jarbas Feldner, a modalidade se tornou uma importante parceira para manter serviços oferecidos gratuitamente às pessoas com deficiência e suas famílias. “Nós somos hoje, pessoal, 2.320 APAES parramadas pelo Brasil inteiro e nós atendemos diariamente a 1.700.000 pessoas na área da saúde, da educação e da assistência social.”
Segundo ele, os recursos da Filantropia Premiável ajudam a sustentar diferentes frentes de atuação da rede. “E entre essas grandes parcerias que nós temos, os títulos de capitalização são fundamentais para a manutenção dos nossos serviços.”
Na Apae, os valores podem ser utilizados para reformas, compra de equipamentos, contratação e qualificação de profissionais, além do apoio a atividades esportivas, culturais e artísticas. “É com esse recurso que nós fazemos a reforma, muitas vezes, dos nossos prédios, a compra de equipamentos, a qualificação dos nossos funcionários, mesmo a contratação de alguns para prestação de serviços.”
A destinação também segue uma lógica de acompanhamento dos resultados. Segundo Feldner, os recursos são direcionados mediante apresentação de projetos, com indicação das ações e do número de pessoas que serão atendidas. Depois, as entidades apresentam os resultados alcançados.
A Brasilcap também mantém projetos de Filantropia Premiável voltados ao terceiro setor. Um dos principais exemplos é a parceria com a AACD. Entre 2019 e 2025, a companhia destinou R$ 178 milhões à instituição por meio da modalidade.
Segundo Ernandes Macário, gerente executivo de Comunicação, Sustentabilidade e Relações Institucionais da Brasilcap, os recursos têm impacto direto na manutenção dos atendimentos. “Os recursos repassados pela Brasilcap contribuem para a manutenção e ampliação do trabalho da instituição nas áreas de saúde, reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência, principalmente crianças.”
A AACD realiza cerca de 900 mil atendimentos por ano, segundo dados da própria instituição. Para a Brasilcap, a Filantropia Premiável também funciona como uma forma de aproximar consumidores de causas sociais.
A escolha das entidades depende do modelo do produto e da parceria comercial. A instituição também precisa atender às exigências aplicáveis à modalidade, incluindo a certificação Cebas.
Na CAPEMISA Capitalização, a Filantropia Premiável também se tornou uma ferramenta de apoio a instituições sociais. Ao longo de sua trajetória, a companhia já trabalhou com 35 entidades e, somente no último ano, registrou R$ 546,9 milhões em repasses às instituições beneficiadas.
Entre os principais cases estão a Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro e a Apae Brasil.
Segundo Márcia Moratti, gerente comercial de Capitalização da CAPEMISA, os recursos ajudam as instituições a realizar projetos que dificilmente seriam viabilizados apenas com o custeio das atividades cotidianas. “Mais do que complementar as fontes tradicionais de captação das organizações, esses repasses permitiram que as instituições tirassem do papel projetos de maior porte que não seriam viáveis apenas com os valores de manutenção das atividades cotidianas.”
No caso da Casa Ronald, os recursos da modalidade se tornaram uma das principais fontes para a manutenção do trabalho de acolhimento de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer e suas famílias. “A modalidade consolidou-se como a principal fonte de recursos da Casa Ronald McDonald.”
A parceria também possibilitou investimentos na estrutura da instituição, como obras e melhorias em quartos, áreas de convivência, banheiros, cozinha e outros espaços.
Carlos Neves, Diretor Operacional da Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro, explica que o recurso é utilizado diretamente na manutenção da estrutura. “Os recursos provenientes da Filantropia Premiável são fundamentais para a manutenção e a continuidade do trabalho realizado pela Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro. Eles são direcionados principalmente para a manutenção, conservação e investimento na estrutura da Casa.”
Para ele, a parceria também contribui para melhorar as condições oferecidas às famílias. “A Filantropia Premiável tem um impacto muito positivo pois é uma importante aliada não apenas na manutenção da estrutura existente, mas também na sua melhoria contínua, permitindo que a Casa Ronald acompanhe as necessidades de seus assistidos e ofereça cada vez melhores condições de acolhimento.”
Já na parceria com a Apae Brasil, os recursos ajudam a fortalecer iniciativas em diferentes regiões do país, ampliando ações de inclusão e qualidade de vida para pessoas com deficiência intelectual e autismo e suas famílias.
A ApliCap também atua na modalidade com uma rede de instituições que inclui a Apae Brasil, a Federação Estadual das Apaes do Rio Grande do Sul, o Hospital GRENDACC, a Rede Feminina de Combate ao Câncer do Piauí, o Instituto de Apoio à Criança com Câncer (IACC Cariri) e a Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (ADEFAL).
Segundo a empresa, a seleção começa com uma análise documental e regulatória para garantir que as entidades atendam às exigências da modalidade. “Na ApliCap, portanto, a parceria começa com uma análise documental e regulatória criteriosa, garantindo segurança para a entidade parceira, transparência para o público e conformidade com as normas que regulamentam a capitalização e a Filantropia Premiável.”
A empresa destaca que os recursos contribuem para iniciativas de saúde, assistência social, inclusão e desenvolvimento, além de ampliar a visibilidade das instituições por meio das campanhas. “A modalidade de Filantropia Premiável amplia as fontes de captação do terceiro setor conectando as entidades beneficentes e campanhas de maior alcance e a uma base ampla de participantes.”
Em 2025, a ApliCap destinou R$ 445 milhões às entidades parceiras. No primeiro semestre de 2026, foram mais R$ 230 milhões.
Para as instituições, o modelo representa uma alternativa às formas tradicionais de arrecadação. Para o consumidor, combina a possibilidade de concorrer a prêmios com a destinação de recursos para uma causa social.
Na prática, os cases da Apae Brasil e Casa Ronald mostram como esses valores não são apenas números e sim ajuda que chega diretamente em pessoas reais, financiando estruturas, serviços de qualidade e projetos que impactam milhares de famílias que necessitam de um olhar cuidadoso onde é proposto por essas companhias.

