Enquanto a maior parte do mercado de seguros encerrou 2025 em alta, o seguro rural registrou um movimento oposto. Dados do Ranking das Seguradoras 2025, elaborado pelo Sincor-SP com base em informações da Susep e da ANS, mostram que o segmento recuou 9% na comparação com 2024, passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 12,9 bilhões em prêmios. No mesmo período, os produtos de risco cresceram 8%, alcançando R$ 313,3 bilhões.
O desempenho do ramo destoa da maior parte dos segmentos do mercado. Em 2025, riscos financeiros cresceram 19%, patrimonial avançou 12%, seguro saúde teve alta de 10%, pessoas aumentou 8% e automóvel registrou expansão de 7%. Apenas o VGBL (-22%), o PGBL (-4%) e o seguro rural fecharam o ano em queda.
Na avaliação de Francisco Galiza, economista, a retração do seguro rural está diretamente relacionada à ausência de recursos públicos para financiar a atividade. “O dinheiro não apareceu, e esse foi o motivo da queda. Não foi só o seguro rural que recuou em 2025. O VGBL também apresentou redução, mas por causa da tributação do governo. No caso do seguro rural, o problema foi a falta de recursos para o Plano Safra, e o impacto disso foi enorme”, afirma.
Segundo Galiza, a recuperação do segmento depende da retomada do apoio governamental ao financiamento da produção rural. “Neste momento, o que precisa acontecer para o seguro rural voltar a crescer é muito simples: precisa haver dinheiro. É necessário que o governo disponibilize recursos para apoiar o financiamento da atividade, porque esse é o principal fator que impulsiona a contratação desse seguro”, destaca.
A própria análise econômica do estudo aponta que, entre os fatores negativos observados em 2025, a queda da receita do seguro rural esteve ligada à falta de incentivo estatal, diferentemente do VGBL, cuja retração foi influenciada por mudanças tributárias.

