O segundo dia do CQCS Inovação 2026, realizado nesta quinta-feira (5), no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP), foi marcado por debates sobre o futuro do mercado de seguros, os impactos da inteligência artificial, a transformação dos negócios e a importância das relações humanas. Na Plenária Principal, mediada por Gustavo Doria Filho, fundador do CQCS e idealizador do evento, executivos e especialistas nacionais e internacionais compartilharam experiências e perspectivas sobre os caminhos da inovação no setor.
A programação também contou com as premiações das competições Corretor Inovador e Prêmio CQCS de Inovação em Seguros, que reconheceram iniciativas e soluções voltadas à transformação do mercado.
Um dos primeiros destaques da plenária foi a participação de Leonardo Lourenço, vice-presidente do Grupo MAG, que abordou a importância da capacidade de adaptação para a longevidade das empresas. Com 191 anos de história, o grupo está entre as 13 empresas mais longevas do Brasil. Segundo o executivo, três fatores são fundamentais para a sustentabilidade dos negócios: compreender a empresa, valorizar a qualidade das pessoas e dos parceiros e desenvolver a capacidade de reinvenção. “Essa adaptabilidade só se sustenta se você perceber os sinais que estão à sua volta e influenciam o negócio, trazendo esses sinais para dentro da empresa e criando estratégias que se sustentem com o passar do tempo”, explicou.
Lourenço também apresentou a dimensão atual do Grupo MAG, que reúne dez empresas e atende quase oito milhões de clientes. A companhia trabalha com a perspectiva de alcançar R$ 4 bilhões em prêmios e pagar aproximadamente R$ 8 bilhões em benefícios. Para o executivo, o diferencial do negócio está na combinação entre tecnologia e valorização das pessoas. “A empresa só cresce se trouxer tecnologia em suas estratégias. A inteligência artificial está cada vez mais presente na nossa vida”, afirmou. Ele destacou ainda a construção de uma estrutura de dados, a migração integral das operações para a nuvem e a capacitação de lideranças e colaboradores para utilizar essas informações. Nesse contexto, apresentou a MAGIA (MAG Inteligência Artificial), iniciativa voltada à organização de programas de inteligência de mercado.
Na sequência, Alejandro Bermejo Garrido, Executive Director Insurance Sector do GFT Group, ressaltou o potencial do Brasil na adoção de novas tecnologias. Na avaliação do executivo, o mercado brasileiro de seguros apresenta um nível de inovação comparável ao europeu e, em alguns aspectos, superior ao de países como Alemanha e França. Ao abordar a inteligência artificial, Garrido destacou que a tecnologia representa uma transformação sem volta para as empresas. Entre os movimentos capazes de acelerar essa mudança, apontou a evolução dos canais digitais e a modernização das estruturas tecnológicas das seguradoras.
A programação também contou com a keynote de Christina Colby, Chief Customer Officer da Guidewire, que compartilhou sua experiência no relacionamento com seguradoras e corretores de diferentes mercados. A executiva destacou que, embora existam diferenças entre os países, também há aprendizados comuns que podem contribuir para a evolução do setor. Colby chamou atenção para a necessidade de as companhias avaliarem como utilizar a inteligência artificial em diferentes frentes, considerando não apenas as operações internas, mas também o relacionamento com clientes e corretores. Segundo ela, é importante definir quais aplicações devem ser priorizadas e com que frequência as tecnologias serão utilizadas.
A relação entre conhecimento, inovação e transformação dos negócios também foi abordada no Espaço NTT DATA. Hugo Assis destacou o papel das consultorias na construção de soluções para o mercado de seguros e a importância de reunir conhecimento setorial, experiência e confiança na execução de projetos. Representando uma companhia com 25 anos de atuação no Brasil e mais de oito mil colaboradores, o executivo ressaltou que a inovação também depende da colaboração entre empresas e parceiros estratégicos. “O futuro vem do passado, o aprendizado vem do passado. Precisamos disso para redesenhar”, afirmou.
Na sequência, Carlos Sanchez, vice-presidente de Inovação Global em Seguros da NTT DATA, apresentou o tema “Seguros em 2030: Competindo por Relevância, Não Apenas por Participação de Mercado”. O executivo defendeu que as empresas precisam repensar sua relação com os clientes e acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas. “Os líderes que não se adaptarem à IA vão perder relevância. Se não forem relevantes para o seguro e para os clientes, irão desaparecer”, alertou.
Para Sanchez, a inteligência artificial representa uma transformação muito mais ampla do que uma tendência passageira. O executivo destacou que compreender e incorporar essas tecnologias será fundamental para que as companhias consigam ampliar sua atuação, atender às novas demandas e se preparar para riscos emergentes.
O potencial da inteligência artificial para ampliar o acesso ao seguro também esteve entre os assuntos debatidos. Lucas Neves, CEO da Wiz Co, destacou como a tecnologia pode ajudar instituições financeiras a alcançar um número maior de consumidores e tornar os produtos mais acessíveis. Na avaliação do executivo, a utilização de inteligência artificial permite ampliar a capacidade de comunicação com os clientes, identificar oportunidades e desenvolver ofertas mais adequadas às diferentes realidades financeiras da população. “Com IA, você consegue falar com mais clientes, consegue acessar um mercado maior, oferecendo valor para os clientes”, explicou.
Outro destaque foi a participação de Seth Rachlin, autor do livro Social Capital at Work, que apresentou a palestra “Confiança é o Verdadeiro Diferencial: Reconstruindo o Capital Social na Era das Seguradoras Impulsionadas por IA”. O especialista chamou atenção para o enfraquecimento das conexões humanas e seus reflexos nas relações profissionais. Segundo dados apresentados por ele, entre 2005 e 2019, o número de palavras faladas pelas pessoas caiu 28%. Rachlin também destacou que apenas 4% da geração Z se sentem pertencentes ao ambiente de trabalho. “O mundo ficou mais solitário”, afirmou.
Para o autor, a crescente preferência por interações com inteligência artificial também revela mudanças na maneira como as pessoas se relacionam. “As pessoas preferem IA porque não se sentem julgadas por colegas humanos”, observou. Nesse cenário, Rachlin defendeu que o capital social está diretamente relacionado à qualidade das conexões e à confiança construída entre as pessoas. “O capital social é a chave para saber o que está acontecendo no mundo dos seguros”, destacou.
O palestrante também relacionou essa reflexão à própria essência da atividade seguradora. “O seguro é um negócio que floresce da incerteza e, ao mesmo tempo, a gente trata essa incerteza das pessoas”, afirmou. Para ele, o avanço tecnológico torna ainda mais importante preservar os vínculos humanos que sustentam as relações de confiança.
A discussão sobre inteligência artificial e seus efeitos práticos nos negócios também esteve presente na palestra de Martin Dietz, membro do Group Management da ConVista Consulting, com o tema “IA em Seguros: Do Hype ao Impacto”. Durante sua participação, Dietz ressaltou a importância de olhar para a inovação de maneira realista, considerando também os aprendizados obtidos com experiências que não alcançaram os resultados esperados. Ao compartilhar um episódio de sua trajetória profissional, contou sobre uma tentativa mal sucedida de desenvolver um trabalho de consultoria voltado aos setores de petróleo e gás. O executivo também destacou o valor do CQCS Inovação 2026 como oportunidade para conhecer diferentes realidades do mercado, trocar experiências e estabelecer conexões com profissionais do setor.
Com o tema “Transformando o Seguro”, o CQCS Inovação 2026 encerrou sua programação de dois dias reunindo executivos, seguradoras, corretores, empresas de tecnologia e especialistas nacionais e internacionais. Realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo, o evento promoveu debates, apresentações e encontros voltados à troca de conhecimentos e experiências, ao estímulo de novas oportunidades de negócios e à apresentação de soluções inovadoras para os desafios do mercado de seguros.

