O segundo dia do CQCS Inovação 2025, realizado em 12 de novembro, reuniu especialistas na sala 5 para tratar do tema “Novo Mercado de Seguros: da Proteção Patrimonial Mutualista à Seguradora S4”. O debate contou com Carlos Queiroz, diretor de Supervisão Prudencial e de Resseguros da Susep; Weliton Costa, Business Development Director Latam da InsureMO; e Leticia Abdo, sócia-proprietária da Velox Contact Center, que trouxe uma visão prática sobre as transformações que estão moldando o futuro das APVs e das cooperativas.
Ao falar sobre sua trajetória no setor, Leticia contextualizou a origem das APVs e como o modelo mutualista se desenvolveu de forma espontânea, especialmente em Minas Gerais, há mais de 20 anos. Ela lembrou que, naquele período, a operação era baseada em confiança, organização coletiva e rateio direto entre os participantes — uma estrutura que ao longo do tempo ganhou força, mas também enfrentou desafios pela falta de regulamentação.
Segundo Leticia, o cenário atual exige decisões estratégicas e senso de responsabilidade para garantir a sustentabilidade das operações diante das novas regras. “Estamos passando por muitas mudanças e com grandes responsabilidades na mesa. A regulamentação está chegando para organizar o setor e garantir ao consumidor aquilo que ele sempre mereceu: segurança e profissionalismo”, destacou.
A executiva reforçou ainda que o mercado regulado traz exigências que não podem ser ignoradas, como governança robusta, organização e clareza de modelo de atuação. Para ela, insistir em estruturas antigas que já não atendem às demandas atuais pode comprometer o futuro das organizações. “Não vale a pena tentar mudar algo que não tem como ser mudado. Cada líder precisa entender qual é o melhor caminho para o seu negócio, seja administradora, S4 ou outra modelagem. O foco deve ser sempre o consumidor, porque sem ele nada se sustenta”, afirmou.
Ela concluiu ressaltando que, apesar das incertezas naturais do momento, o setor está diante de uma oportunidade histórica. “A ProAuto sempre buscou fazer o certo e continuará fazendo o que for melhor para associados, colaboradores e todo o ecossistema. O mercado regulado não é para todos, mas é o caminho para que o setor avance com ordem, organização e profissionalismo.”
Carlos Queiroz reforçou esse alinhamento entre passado e futuro ao destacar o papel da regulamentação e da Susep na consolidação do mercado. “A Susep apresentou sua visão sobre como deve funcionar a regulação e a supervisão do mercado, e os ganhos trazidos pela regulamentação por meio da Lei Complementar 213. O CQCS Inovação é um evento tradicional no mercado segurador, e a Superintendência está sempre presente apoiando iniciativas como essa, que fomentam e fortalecem o setor no Brasil.”
Para Weliton Costa, a tecnologia será um dos pilares da transformação e da sustentabilidade das novas estruturas reguladas. “A tecnologia é o ponto central dessa transformação. Ela permite que as cooperativas, associações e novas seguradoras consigam estruturar suas operações, se adaptar às exigências regulatórias e manter eficiência e transparência. Nosso papel é colaborar com soluções flexíveis, capazes de atender diferentes nichos de mercado e fortalecer a gestão de riscos. É assim que o setor vai evoluir de forma sustentável e integrada à nova legislação.”
O painel reforçou que a transição do modelo mutualista para o ambiente regulado exige equilíbrio entre inovação e responsabilidade. Em comum, os especialistas destacaram que o setor caminha para uma operação mais profissional, tecnológica e centrada no cliente, alinhada às demandas da nova economia e às exigências de um mercado cada vez mais sólido e transparente.

