Notícias | 6 de outubro de 2025 | Fonte: Jornal Estado de Minas

Presidente da ANS é contra uso de precatórios como garantia a operadoras

Reprodução/Agência Brasil

O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, é contrário, neste momento, à substituição de ativos garantidores das operadoras de planos de saúde por títulos precatórios do governo federal. A proposta de uma consulta pública sobre o tema, defendida pelo diretor de Normas e Habilitação das Operadoras, Jorge Aquino, provocou forte reação interna na agência e será debatida em reunião da diretoria colegiada nesta segunda-feira, 6.

A interlocutores, Damous disse que o momento da mudança é inapropriado. Outras fontes da ANS dizem que a diretoria técnica tende a ser contrária ao tema e até mesmo à consulta pública.

Ativos garantidores são bens e valores mantidos pelas operadoras para assegurar que consigam cumprir seus compromissos com os beneficiários, funcionando como uma espécie de “colchão de segurança” em caso de insolvência. Atualmente, até 50% desses ativos já podem ser compostos por imóveis, regra que, segundo técnicos da ANS, já foi considerada arriscada. A inclusão de precatórios — dívidas judiciais do governo — seria, na avaliação de Damous e de servidores da agência, um passo ainda mais temerário.

“Isso é uma vergonha, ainda mais sabendo como funcionam esses esquemas de precatórios”, disse uma fonte ligada à cúpula da ANS. “O corpo técnico é contra e nem assinou a nota autorizativa. Estão todos revoltados”, completou.

A proposta de Aquino prevê permitir o uso de precatórios federais pelo valor de face, sem considerar o deságio de mercado — que, segundo estudos citados por servidores, pode chegar a 60%. Técnicos lembram que os precatórios não têm custódia eletrônica por centrais como CETIP, SELIC ou CBLC, o que aumenta o risco de fraude e opacidade.

A Associação dos Servidores e Demais Trabalhadores da ANS (Assetans) enviou carta aos diretores afirmando que o tema não deveria sequer ser submetido a consulta pública antes de um debate técnico interno mais aprofundado. “Os ativos garantidores são a garantia de equilíbrio financeiro dos planos e a proteção final do consumidor”, alertou a entidade.

Em entrevista à repórter Luciana Casemiro, do Globo, Aquino defendeu sua iniciativa como legítima. “O que está sendo proposto é uma consulta pública para aprimoramento das medidas prudenciais. O Banco Central e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional aceitam precatórios para pagamento de dívidas. Eu não vejo nenhum risco que possa vedar um debate. Numa sociedade democrática, nenhum tema deve ser proibido”, disse.

Um comentário

  1. Valter Hime

    6 de outubro de 2025 às 11:55

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