Planos de saúde individuais e familiares podem ter reajuste de 7,5% no ano que vem, 1,44 ponto percentual acima do teto de 6,06% definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) neste ano. Se confirmado será um índice acima da inflação, que deve terminar 2025 em torno de 4,5%.
A estimativa preliminar consta em relatório desta segunda-feira do BTG Pactual com base nos dados econômico-financeiros das operadoras entre janeiro e setembro, divulgados na última semana pelo órgão regulador.
Nos primeiros nove meses do ano, operadoras registraram lucro operacional de R$ 9,3 bilhões, um aumento de quase 140% na comparação com 2024, e o maior em cinco anos. Já o lucro líquido, que também considera a remuneração das aplicações financeiras das operadoras num cenário de taxa de juros em alta, foi de R$ 17,9 bilhões, o maior desde o início da série histórica, em 2018.
Com a divulgação dos dados, os analistas do BTG recalcularam suas projeções para a correção do contratos individuais no próximo ciclo de reajuste, chegando ao patamar de 7,5%.
No cálculo do índice máximo de aumento desses contratos, a ANS considera a variação de custos médico-hospitalares nos últimos 12 meses e também o IPCA, descontada a inflação o subitem plano de saúde. Após aprovado, normalmente entre maio e junho, o teto é válido entre maio do ano vigente e abril do ano seguinte, e é implementado de forma gradual sempre no aniversário dos contratos.
“O número final dependerá dos resultados do 4T25, esperados entre fevereiro e março”, destacaram os analistas Samuel Chaves e Maria Resende.
O índice definido pela ANS se aplica apenas aos planos individuais, que têm 8,56 milhões de usuários no país, ou 16% do total de brasileiros cobertos pela saúde privada. Maior operadora do país, a Hapvida se destaca como a operadora com maior número de usuários em planos individuais (18%), seguida por Amil (13%), Prevent Senior (94%) e Athena (22%).
De acordo com o BTG, um fator-chave para o cenário do ano que vem é o “impacto desproporcional” da Hapvida (que inclui usuários da Hapvida e também da Notredame Intermédica, parte do mesmo grupo), que segundo os analistas respondem por cerca de 2,5 pontos percentuais dos 7,5% estimados.
“Ambas (operadoras) reportaram inflação de custos médicos bem acima da média do mercado em 2025 (Hapvida 32% a/a, GNDI 28% a/a, versus 7,5% a/a para o restante do mercado), elevando o VDA (variação das despesas assistenciais ajustada por mudanças no número de beneficiários)”, detalha o relatório.
Reajuste menor nos coletivos
Os dados divulgados pela ANS na semana passada também apontaram que a sinistralidade, índice que mede quanto do valor recebido com as mensalidades foi gasto com o uso em si dos planos pelos usuários, caiu, o que sinaliza, para o mercado, reajustes mais baixos em 2026.
Em queda depois de alcançar 88,6% em 2022, quando houve uma alta no uso dos convênios depois da demanda reprimida da pandemia, a sinistralidade encerrou os primeiros nove meses de 2025 em 80,8%, 2,3 pontos percentuais abaixo ao registrado em igual período de 2024.
Se observadas apenas as operadoras de grande porte, a diferença do índice para o ano passado é de 2,6 p.p, cenário que tende a “ditar o ritmo” para um reajuste menor dos planos de saúde coletivos em 2026. A análise de Vinicius Figueiredo, do Itaú BBA, que acredita que o percentual de correção dos coletivos empresariais pode ficar em apenas um dígito.
Enquanto planos individuais têm o reajuste limitado pela ANS, os contratos coletivos (empresariais e por adesão) são negociados entre as operadoras e as administradoras ou empresas contratantes.
No caso dos planos de pequenas e médias empresas (PMEs), com até 29 vidas, o reajuste segue um “pool de risco”, onde vale o mesmo percentual para todos os do tipo na operadora.
— Ainda não sei dizer se o reajuste vai ser um digito só no pool, mas o crescimento de tíquete médio vai ser menor do que vimos esse ano. No empresarial, com certeza podemos chegar a um digito de aumento — diz Figueiredo.

