Notícias | 8 de outubro de 2025 | Fonte: CQCS l Beatriz Adamoli

Omint destaca como saúde bucal e mental estão diretamente conectadas

Apesar de parecerem não ter relação por serem áreas distintas, a saúde mental pode afetar diretamente a bucal, devido a diversos fatores associados a desequilíbrios emocionais e psicológicos. A falta de motivação para manter a higiene oral, os distúrbios alimentares, o bruxismo e até os efeitos colaterais de medicamentos psiquiátricos tornam pessoas com condições mentais mais vulneráveis a doenças bucais.

Segundo Ana Paula de Freitas Ravanini, clínica geral especialista em dentística restauradora da Clínica Omint Odonto e Estética, explica que pacientes com depressão, ansiedade ou outras condições psicológicas podem enfrentar dificuldades até mesmo para realizar cuidados básicos. “Isso pode resultar no acúmulo de placa bacteriana, cáries, gengivite e até periodontite, uma doença mais grave da gengiva que pode levar à perda dentária”, afirma.

Entre os fatores que mais contribuem para essa conexão entre as duas áreas, estão:

  • Distúrbios alimentares: Pacientes com bulimia ficam mais expostos ao ácido estomacal por conta dos episódios de vômito induzido, enquanto a compulsão alimentar aumenta o consumo de alimentos ricos em açúcar, elevando o risco de cáries.
  • Bruxismo: O ato de ranger os dentes, frequentemente associado ao estresse e à ansiedade, pode comprometer a arcada dentária.
  • Medicamentos psiquiátricos: Substâncias como antipsicóticos e antidepressivos podem reduzir a produção de saliva, provocando mau hálito, infecções e cáries. “Nesse caso, é fundamental um acompanhamento multidisciplinar com psiquiatra e dentista”, reforça Ravanini.

Segundo a especialista da Omint, esse conjunto de fatores pode desencadear um ciclo difícil de romper: a baixa autoestima provocada por transtornos mentais leva ao descuido com a saúde bucal, e os problemas orais agravam ainda mais a autoestima do paciente.

Como os profissionais da área podem ajudar? 

Ravanini ressalta que o cirurgião-dentista tem papel essencial na interrupção desse ciclo. “Isso significa adaptar os tratamentos à realidade emocional e cognitiva de cada paciente, oferecer um ambiente acolhedor que reduza estímulos estressantes e explicar cada etapa do atendimento de forma clara e previsível, evitando o aumento da ansiedade”, orienta.

Neste sentido, é importante envolver familiares ou cuidadores quando necessário, priorizar atendimentos mais curtos e frequentes e sempre manter uma postura empática e paciente.

Para a clínica geral, a saúde bucal deve ser considerada parte integrante do cuidado com a saúde mental. “A dor de dente, as infecções bucais e a perda dentária afetam diretamente a autoestima, a alimentação, o sono e até a socialização. Por isso, cuidar da boca é cuidar também da mente”, afirma.

A especialista também reflete sobre a necessidade do profissional estar atento a sinais como agressividade, crises de pânico ou desorientação, para que o paciente seja encaminhado à avaliação psiquiátrica. Em casos de maior complexidade, como fobias severas ou agitação psicomotora, há a possibilidade de sedação consciente ou atendimento hospitalar, sempre com avaliação médica prévia.

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