O avanço do turismo de luxo entre os brasileiros tem alterado a forma como o seguro viagem é percebido e contratado. Antes considerado um item complementar no planejamento, o produto passa a ocupar posição estratégica dentro da experiência de viagem. Dados da Omint Seguros indicam que a demanda por seguros voltados ao segmento de luxo cresceu 54% entre 2022 e 2025, refletindo uma mudança de comportamento entre consumidores de maior renda.
O movimento acompanha a evolução do próprio mercado de viagens de alto padrão, marcado por roteiros personalizados, deslocamentos de longa distância, hospedagens exclusivas e experiências que exigem planejamento detalhado. Nesse contexto, a proteção financeira e assistencial deixa de ser vista apenas como uma exigência de determinados destinos e passa a integrar a organização da viagem desde a fase inicial.
Segundo a Omint, a busca por segurança acompanha o aumento dos investimentos feitos pelos viajantes em passagens, hospedagens e experiências. A companhia observa que clientes de alta renda têm priorizado soluções capazes de oferecer suporte diante de imprevistos médicos, logísticos ou operacionais, especialmente em destinos com elevados custos de atendimento de saúde.
“Hoje, o viajante de alto padrão não busca apenas conforto ou exclusividade, ele busca previsibilidade. O luxo não comporta imprevistos, e isso faz com que o seguro deixe de ser acessório e passe a integrar a própria experiência”, afirma Anna Angotti, gerente de seguros de vida individual e de viagem da Omint.
A tendência acompanha o crescimento global do turismo de luxo. Com a expansão do setor, cresce também a necessidade de mecanismos de proteção capazes de atender a um perfil de consumidor que valoriza planejamento e continuidade da experiência contratada. Viagens internacionais mais longas, múltiplos destinos e atividades específicas ampliam a exposição a riscos que podem gerar custos elevados em caso de necessidade de assistência.
Os dados da Omint mostram ainda quais são os principais destinos procurados por esse público. Os Estados Unidos lideram as contratações de seguros viagem, concentrando 35% da demanda registrada pela companhia. Na sequência aparecem os países da Europa, com 28% das contratações. A América do Sul responde por 9%, enquanto África e Ásia registram participação de 4% cada.
A distribuição geográfica revela uma preferência por destinos internacionais que normalmente envolvem investimentos mais elevados e exigem maior preparação. Em muitos desses mercados, especialmente nos Estados Unidos, despesas médicas emergenciais podem alcançar valores expressivos, tornando a contratação de seguro uma ferramenta importante para evitar impactos financeiros durante a viagem.
Outro aspecto identificado pela seguradora está relacionado ao perfil etário dos consumidores. A faixa entre 40 e 49 anos concentra o maior número de clientes. De acordo com a análise da empresa, trata-se de um público que reúne capacidade financeira para viagens de maior valor agregado e, ao mesmo tempo, demonstra maior preocupação com gestão de riscos e planejamento.
A busca por previsibilidade tem impulsionado a procura por coberturas mais amplas. Atualmente, existem planos que podem oferecer até US$ 500 mil em despesas médico-hospitalares. Essas modalidades incluem, em determinados casos, atendimento relacionado a doenças preexistentes, cobertura considerada relevante para viajantes que realizam deslocamentos de longa duração ou visitam destinos onde os custos de saúde são elevados.
A ampliação dos limites de cobertura acompanha a sofisticação das viagens. Em roteiros que incluem regiões remotas, experiências exclusivas ou deslocamentos complexos, eventuais alterações de programação, cancelamentos ou emergências médicas podem representar prejuízos significativos. Por isso, cresce a procura por produtos que ofereçam proteção mais abrangente e assistência especializada.
Seguro viagem no turismo de luxo ganha espaço entre viajantes de alta renda
Apesar da ampliação das coberturas e dos benefícios oferecidos, o custo do seguro continua representando uma parcela reduzida do orçamento total das viagens. Segundo a Omint, o produto corresponde, em média, a cerca de 2% do valor de uma viagem de dez dias.
“Em média, o produto corresponde a cerca de 2% do valor de uma viagem de 10 dias, cujo maior peso está nas passagens e na hospedagem, o que reforça seu papel como uma decisão estratégica para preservar a experiência diante de imprevistos, inclusive antes do embarque”, explica Angotti.
A avaliação reforça a percepção de que o seguro deixou de ser encarado apenas como um gasto adicional. Para muitos consumidores, a contratação passa a ser vista como um investimento para proteger recursos já destinados à viagem e garantir assistência em situações inesperadas.
O cenário também é influenciado pela crescente busca por destinos menos convencionais. À medida que viajantes de alta renda procuram experiências diferenciadas, aumenta o interesse por regiões que exigem logística mais complexa e apresentam menor previsibilidade operacional.
Levantamento da Booking aponta que 64% dos brasileiros demonstram interesse em atividades relacionadas à observação de fenômenos naturais, como a aurora boreal. Esse tipo de experiência costuma ocorrer em áreas próximas ao Círculo Polar Ártico, abrangendo destinos como Alasca, Noruega, Suécia, Finlândia, Islândia e Groenlândia.
Viagens para essas regiões frequentemente envolvem conexões aéreas, deslocamentos terrestres extensos, condições climáticas específicas e períodos determinados do ano para observação dos fenômenos naturais. Esse conjunto de fatores amplia a necessidade de planejamento e contribui para o crescimento da procura por seguros com coberturas adequadas às características da jornada.
Além da proteção médica, consumidores também têm buscado serviços relacionados à assistência durante o deslocamento, suporte em situações de atraso, cancelamento de viagens e orientação em emergências. O objetivo é reduzir impactos sobre a programação e preservar a experiência adquirida.
O crescimento da demanda identificado pela Omint sinaliza uma transformação no comportamento dos viajantes brasileiros de alta renda. Mais do que atender exigências de entrada em determinados países, o seguro viagem passa a integrar o planejamento estratégico das viagens, acompanhando a expansão do turismo de luxo e a busca por experiências cada vez mais personalizadas.
A tendência indica que a proteção deverá ganhar relevância nos próximos anos, impulsionada pelo aumento das viagens internacionais, pela diversificação dos destinos e pela valorização de soluções que ofereçam suporte em cenários de maior complexidade. Nesse contexto, o seguro viagem consolida seu espaço como parte da experiência de viagem, acompanhando a evolução das demandas de um público que busca minimizar riscos sem comprometer o investimento realizado.

