Notícias | 17 de junho de 2026 | Fonte: Omint Seguro

O novo momento do seguro de vida: de tabu social a instrumento de planejamento patrimonial

Durante décadas, o seguro de vida ocupou um lugar secundário no planejamento financeiro das famílias brasileiras. Associado quase exclusivamente à morte, o produto era tratado como um tema a ser evitado ou postergado. Essa percepção começou a mudar de forma mais clara a partir de 2020, quando a pandemia de Covid-19 trouxe para o centro do debate público a discussão sobre risco, saúde e proteção financeira.

Essa mudança na percepção de valor do público se reflete em números. Segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), o segmento de seguros de pessoas movimentou R$ 71,9 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Dentro desse universo, o seguro de vida responde por cerca de 48% da arrecadação. Ainda assim, a penetração permanece baixa: apenas cerca de 17% da população brasileira possui algum tipo de seguro de vida.

O contraste entre crescimento e baixa adesão em relação ao total de habitantes do país sugere uma transformação em curso. Mais do que uma expansão de oferta, o que se observa é uma mudança gradual na percepção de valor do produto. O seguro passa a ocupar espaço no debate sobre planejamento financeiro, sucessão patrimonial e gestão de riscos, temas tradicionalmente associados ao universo dos investimentos.

Em um ambiente no qual o investidor convive com um número crescente de instrumentos financeiros, muitos deles complexos e sujeitos à volatilidade, o seguro de vida surge como um mecanismo complementar de proteção. Diferentemente de ativos de acumulação, sua lógica está associada à liquidez imediata e à transferência de risco, características que o tornam relevante em estruturas de planejamento patrimonial.

Esse movimento também se reflete na atuação de bancos, gestoras e planejadores financeiros. O produto passou a integrar estratégias voltadas à sucessão, à proteção de renda e à preservação de patrimônio familiar, ao lado de instrumentos tradicionais como fundos, previdência privada e estruturas societárias.

Ao mesmo tempo, o perfil do consumidor vem mudando. Levantamentos internos indicam maior adesão entre os mais jovens. Millennials e integrantes da geração Z começam a incorporar o seguro de vida como parte de sua organização financeira, em contraste com a visão predominante em gerações anteriores, que tendiam a tratar o produto apenas como proteção tardia.

Outro movimento relevante é o crescimento da contratação entre mulheres. Os dados apontam aumento de 118% na adesão feminina ao seguro de vida nos últimos três anos. Esse avanço acompanha mudanças estruturais na sociedade brasileira, como maior participação feminina na geração de renda e na gestão do patrimônio familiar.

Do lado das seguradoras, a adaptação a esse novo cenário também envolve transformações relevantes. A ampliação das coberturas e a incorporação de proteções relacionadas a doenças graves, por exemplo, exigem modelos atuariais mais sofisticados e planejamento financeiro de longo prazo. Em um país que envelhece e no qual a incidência de determinadas enfermidades cresce, estruturar produtos sustentáveis passa a ser um desafio central para o setor.

Essa evolução ocorre em paralelo ao desenvolvimento de novos canais de distribuição. Além dos modelos tradicionais ligados a bancos, cresce a atuação de agentes autônomos especializados em seguros, que operam de forma mais consultiva e contribuem para ampliar o acesso ao produto.

O resultado é um mercado em transformação. O seguro de vida deixa gradualmente de ser percebido apenas como proteção para um evento extremo e passa a ser tratado como instrumento de gestão de risco dentro de estratégias mais amplas de planejamento financeiro.

No Brasil, onde o setor de seguros ainda representa uma parcela relativamente pequena do PIB quando comparada a economias desenvolvidas, esse movimento sugere um espaço significativo para expansão ao longo da próxima década. Mais do que um produto financeiro isolado, o seguro de vida veio para ocupar um papel cada vez mais relevante na arquitetura de proteção patrimonial das famílias.

José Luiz Florippes – diretor de vendas da Omint Seguro*

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