Notícias | 8 de dezembro de 2025 | Fonte: CQCS | Livia Alves

Obras de Matisse e Portinari roubadas em São Paulo estavam seguradas, e autoridades investigam o caso

Criminosos armados invadiram a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, no Centro de São Paulo, na manhã do último domingo, 7 de dezembro, e roubaram 13 obras de arte que integravam a exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”, realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo. Segundo a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativas, as peças levadas, que possuíam apólice de seguro vigente, incluem oito gravuras de Henri Matisse e cinco gravuras de Candido Portinari.

Segundo informações da Polícia Militar, dois homens renderam uma vigilante e visitantes que estavam no local. Em seguida, os criminosos recolheram as obras expostas e fugiram a pé em direção à estação Anhangabaú do Metrô. Equipes que patrulhavam a região prestaram apoio imediato aos funcionários da biblioteca, mas os suspeitos não foram localizados naquele momento.

O caso foi registrado no 2º Distrito Policial, no bairro do Bom Retiro, e é investigado pela Polícia Civil. A apuração está sob responsabilidade da 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas.

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa destacou que as obras estavam regularmente seguradas e que o espaço contava com estrutura de segurança. “A pasta informa que as obras expostas contam com apólice de seguro vigente, e que o local dispõe de equipe de vigilância, sistema de câmeras de segurança. Todo o material que possa servir à investigação está sendo fornecido para as autoridades policiais. A Polícia Militar atendeu a ocorrência e a Guarda Civil Municipal (GCM) reforçou o policiamento”, enfatizou a secretaria.

As gravuras roubadas de Henri Matisse faziam parte do conjunto de pranchas do livro Jazz, uma das obras mais conhecidas do artista francês, enquanto as peças de Candido Portinari pertencem à série Menino de Engenho. A exposição reunia trabalhos gráficos de ambos os artistas e se encerraria justamente no domingo em que ocorreu o crime.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, informou que imagens captadas pelo sistema Smart Sampa identificaram os suspeitos, que seguem sendo procurados pelas forças de segurança.

Seguro das obras e exposições temporárias

A existência de um seguro vigente para as obras é uma exigência comum em exposições realizadas a partir do empréstimo de acervos entre instituições culturais. Esse tipo de cobertura tem como finalidade proteger financeiramente as peças durante o período em que permanecem fora de seus locais de origem, inclusive em casos de roubo ou dano.

Embora o seguro não substitua o valor cultural e histórico das obras, ele garante respaldo institucional às entidades envolvidas e é uma condição fundamental para viabilizar a circulação de acervos artísticos em exposições temporárias abertas ao público.

Biblioteca Mário de Andrade

Mantida pela Prefeitura de São Paulo, a Biblioteca Mário de Andrade é considerada um dos principais equipamentos culturais do país. Fundada em 1925, a instituição completou 100 anos em fevereiro de 2025 e é hoje a segunda maior biblioteca do Brasil e a maior biblioteca pública da capital paulista.

Localizada no Centro de São Paulo, a biblioteca abriga um vasto acervo formado por livros, periódicos, manuscritos, obras raras, fotografias e material iconográfico, sendo referência para pesquisadores, estudantes e o público em geral. Desde 1960, leva o nome do escritor e intelectual modernista Mário de Andrade, uma das figuras centrais da cultura brasileira no século XX.

Além de funcionar como espaço de consulta e pesquisa, a biblioteca também recebe exposições temporárias e atividades culturais, ampliando o acesso do público ao patrimônio artístico e histórico. Somente no último ano, mais de 200 mil pessoas passaram por suas dependências.

Um furto silencioso no acervo histórico

O episódio registrado em dezembro de 2025 não é o primeiro crime envolvendo o acervo da Biblioteca Mário de Andrade. Em 2006, a instituição foi alvo de um furto silencioso, que resultou no desaparecimento de 12 gravuras raras do século XIX.

As peças faziam parte do livro Souvenirs de Rio de Janeiro, de Johann Jacob Steinmann, com ilustrações de paisagens brasileiras produzidas entre 1834 e 1835. O crime só foi descoberto meses depois, quando um funcionário identificou a ausência das gravuras durante a consulta a uma publicação do acervo.

As obras acabaram sendo recuperadas apenas em 2024, cerca de 18 anos após o furto, pela Polícia Federal. Segundo as investigações, elas estavam com um colecionador brasileiro que havia adquirido as peças legalmente em uma casa de leilões no exterior.

Diferentemente do caso atual, não há registros públicos de que as gravuras furtadas em 2006 contassem com apólice de seguro. À época, nenhuma informação oficial mencionou cobertura securitária, o que evidencia mudanças nos protocolos de gestão de risco e proteção do acervo cultural ao longo das últimas duas décadas.

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