Como ampliar o uso da inteligência artificial no mercado de seguros sem comprometer a confiabilidade das decisões? Esse será um dos pontos em discussão no CQCS Inovação 2026, que acontece nos dias 4 e 5 de novembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP), com a participação de Moisés Santana, CEO e cofundador da Nimbloo.
O debate conta também com as falas de Jaime Soares, diretor executivo de auto na Porto, e Ricardo Stamato, diretor de inovação na Confitec e acontece dia 04/11 a partir das 14:20, na sala 7, dentro da programação do CQCS Inovação 2026.
Com mais de 30 anos de experiência em tecnologia e negócios digitais, Santana foi diretor da Accenture e liderou equipes, produtos e projetos tecnológicos para diferentes setores, incluindo o financeiro e o de seguros. Sua participação contribuirá para o debate sobre como conciliar inovação, governança e responsabilidade na adoção da inteligência artificial em operações críticas.
“Agilidade sem confiabilidade é um risco disfarçado de benefício. A velocidade só tem valor quando vem acompanhada de consistência”, afirma o executivo.
A preocupação é especialmente relevante em atividades como vistorias, regulação de sinistros e prevenção a fraudes, nas quais a qualidade das informações influencia decisões financeiras e operacionais. Para Santana, um dos principais requisitos para que uma solução de inteligência artificial atenda operações de grande escala é a previsibilidade.
“Uma grande operação não pode depender de uma IA que muda de comportamento a cada atualização. A IA deve sempre evoluir, mas sem impactar o que já fazia bem”, explica.

O executivo também destaca a importância de medir os resultados da tecnologia. Ele cita um levantamento global da Capgemini de 2026, segundo o qual 60% das seguradoras de danos ainda estavam em fase de exploração ou prova de conceito com inteligência artificial, enquanto 42% não acompanhavam métricas. Na avaliação dele, a passagem da experimentação para a aplicação operacional exige indicadores claros, processos estruturados e responsabilidades bem definidas.
Outro aspecto fundamental é a proteção de dados. Santana ressalta que empresas que desenvolvem soluções de IA para setores regulados precisam estabelecer compromissos sobre o armazenamento, o tratamento e o acesso às informações. Ele também menciona a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária de 2026, segundo a qual 80% dos bancos consultados priorizam segurança e privacidade como estratégia de diferenciação.
A rastreabilidade completa essa estrutura de confiança, permitindo compreender e revisar os resultados produzidos pelos sistemas. “Toda decisão que a nossa tecnologia produz pode ser acompanhada e revisada. O gestor consegue entender por que aquela análise chegou àquele resultado”, afirma.
Segundo Santana, a possibilidade de auditar decisões também contribui para aperfeiçoar processos. “Quando você consegue auditar a decisão, você consegue melhorar o processo. Rastreabilidade não é só proteção, é inteligência operacional também”, acrescenta.

A experiência da Nimbloo está relacionada a esses desafios. A empresa brasileira desenvolve inteligência artificial proprietária especializada no setor automotivo, com tecnologia que transforma imagens de veículos em dados para automatizar e/ou apoiar decisões de negócio. No mercado de seguros, as soluções podem contribuir para a verificação de vistorias, a análise de avarias, a identificação de imagens fraudulentas e a auditoria de sinistros.
Fundada em 2023, após um período de desenvolvimento tecnológico iniciado em 2017, a Nimbloo combina inteligência artificial com conhecimento de especialistas automotivos. Para Santana, essa integração permite considerar aspectos que vão além da identificação de danos, como a gravidade das avarias e a necessidade de reparo ou substituição de peças.
“Tecnologia sem contexto é só código. E código não resolve problema de negócio, resolve problema de software”, afirma.
O executivo avalia que a inteligência artificial especializada pode aumentar a eficiência do mercado ao padronizar análises, reduzir retrabalho e permitir o processamento de grandes volumes de informações sem perder consistência. Para ele, a competitividade dependerá da capacidade de transformar a tecnologia em resultados mensuráveis, mantendo o controle sobre riscos e decisões.
A discussão no CQCS Inovação 2026 reforça a importância de tratar a governança como parte da evolução tecnológica. À medida que a inteligência artificial assume funções mais relevantes nas operações das seguradoras, a confiabilidade, a proteção de dados e a rastreabilidade tornam-se essenciais para ampliar seu uso de forma responsável.
Serviço
Evento: CQCS Inovação 2026
Painel: Tecnologia Incrementando o Seguro
Data e horário: 4 de novembro de 2026, a partir das 14:20
Local: Sala 7, Transamerica Expo Center, São Paulo (SP)

