Notícias | 24 de março de 2025 | Fonte: CQCS | Gabrielly Marqueton

Levantamento da Alper mostra que empregados do Varejo e da Saúde são mais vulneráveis ao sofrimento psicológico no trabalho

A pesquisa analisou sete setores da economia e trouxe dados preocupantes sobre o sofrimento psicológico no ambiente de trabalho, justamente em um momento em que a nova NR-1 reforça a obrigatoriedade das empresas cuidarem desse aspecto com seriedade.

Utilizando o Questionário de Saúde Mental SQR-20, o estudo apontou que o setor de Varejo apresenta os índices mais críticos: 31% dos trabalhadores estão em alto risco, com possibilidade de ideações suicidas, e 46% enfrentam algum nível de sofrimento psicológico. Apenas 17% demonstraram estar mentalmente saudáveis, enquanto 4% requerem atenção especial.

Na área da Saúde, o cenário também preocupa: 8% dos profissionais demonstram tendências suicidas e 31% relatam sofrimento psicológico constante. Outros 26% apresentam pontos de atenção, e somente 35% estão com a saúde mental equilibrada.

Já no Comércio, os dados são menos alarmantes, mas ainda significativos: 12% estão em risco elevado, 25% apresentam sofrimento psicológico, 38% requerem atenção e 25% estão saudáveis.

Por outro lado, setores como Indústria e Concessionárias apresentam indicadores mais positivos. Na Indústria, 54% dos colaboradores estão bem mentalmente e apenas 7% estão em alto risco. Em Concessionárias, 5% necessitam de ajuda psicológica imediata, 35% requerem acompanhamento e 30% estão em boas condições mentais.

A pesquisa também mostra que os setores de Tecnologia e Agronegócio têm perfis semelhantes: menos de 10% dos profissionais estão em alto risco, cerca de 20% precisam de atenção e mais de 40% demonstram boa saúde mental.

“Identificamos que certos segmentos empresariais apresentam maior vulnerabilidade quando se trata de saúde mental, com índices significativamente acima da média”, afirma Paula Gallo, diretora de Gestão de Riscos e Saúde da Alper Seguros. “Fatores como alta pressão por resultados, longas jornadas, instabilidade econômica do setor e baixo suporte organizacional estão diretamente relacionados a esse quadro”, avalia Gallo.

Com esse panorama, cresce a urgência de adaptação à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), atualizada em agosto de 2024 por meio da Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A novidade? Pela primeira vez, os riscos psicossociais passam a integrar oficialmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O prazo final para adequação das empresas vai até maio de 2025 — e quem não se adaptar estará sujeito a multas, embargos e interdições.

Considerada o “coração” das normas de segurança e saúde no trabalho, a NR-1 agora amplia seu escopo: além dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, os fatores psicossociais também entram no radar obrigatório das empresas. “Com a nova atualização, além dos tradicionais riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, os fatores psicossociais entram oficialmente no radar das organizações”, reforça Gallo.

A partir dessa mudança, os PGRs devem contemplar:

  • Inventário de Riscos: análise detalhada de fatores como carga de trabalho, relações interpessoais e suporte organizacional;
  • Plano de Ação: medidas para mitigar os riscos, como adequação da jornada, canais de denúncia e treinamentos;
  • Monitoramento Contínuo: acompanhamento periódico das ações implementadas;
  • Registro de Ocorrências: documentação de episódios relacionados a riscos psicossociais, incluindo assédio moral e sexual.

“Diferentemente dos riscos físicos, não existem EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para contextos psicossociais. O que funciona são ações preventivas, fluxos bem ordenados e mapeamento individualizado, respeitando tanto a singularidade humana quanto o contexto laboral”, destaca Gallo.

Para apoiar as organizações nessa jornada, a Alper Seguros desenvolveu uma consultoria especializada em saúde mental. “Nossa experiência com o programa ‘Trilha da Mente’ nos permitiu criar uma metodologia eficaz para mapear processos e avaliar riscos, ajudando as organizações a obterem o certificado de empresa promotora de saúde mental”, explica a diretora.

Além da conformidade legal, os benefícios são tangíveis: “Empresas que implementam programas efetivos de gestão da saúde mental observam diminuição do absenteísmo e presenteísmo, redução dos níveis de estresse, maior satisfação e engajamento no trabalho, melhora do clima organizacional e impacto positivo na reputação da marca empregadora”, completa Gallo.

Com o prazo de maio de 2025 se aproximando, especialistas reforçam: é hora de agir. Começar a adequação o quanto antes pode evitar contratempos e, principalmente, transformar o ambiente de trabalho em um espaço mais saudável e produtivo.

Para saber mais sobre o programa Trilha da Mente e as soluções desenvolvidas pela Alper Seguros para adequação à NR-1, acesse o Link.

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