A Avla, grupo chileno de seguros para empresas, pretende reunir US$ 150 milhões de capital em sua operação de resseguros nos próximos 12 a 18 meses. O plano é transformar uma estrutura que já atende às companhias do próprio grupo em um negócio aberto a outras seguradoras, começando pela América Latina. A expansão será comandada pelo executivo Felippe Astrachan, que deixa a presidência da seguradora brasileira para assumir a nova frente global.
Em seu lugar, assume André Luiz Bertolino, executivo que participou da construção da operação no país. A mudança ocorre quando o Brasil, que já ultrapassou a matriz chilena e se tornou o maior mercado da Avla, deve alcançar aproximadamente R$ 750 milhões de faturamento em 2026.
A aposta em resseguros — o seguro contratado pelas seguradoras para dividir os riscos de suas carteiras — será conduzida sob a marca AVLA RE. A empresa já existe, absorve operações do grupo e é lucrativa, segundo Astrachan. Agora, ganhará capital e uma estrutura separada da seguradora para atender ao mercado. “A gente vai transformar essa operação num business de resseguro comercial, para atender ao mercado”, afirma o executivo em entrevista exclusiva ao EXAME Insight.
Embora a estrutura esteja sediada fora do país, a liderança ficará no Brasil. A intenção é usar a experiência da expansão brasileira para desenvolver produtos e coberturas para outras seguradoras, combinando capital e conhecimento dos segmentos em que o grupo já atua.
Os recursos virão dos atuais acionistas, a gestora americana Creation Investiments, a alemã DEG Investitions e o escritório colombiano de private equity Altra Investments, além da geração de caixa da Avla. Segundo Astrachan, o grupo não busca novos investidores para viabilizar o plano. A capitalização será feita gradualmente. “É um negócio que exige muito capital. Construir esse balanço desse jeito vai permitir que a gente cresça muito rápido”, diz.
A operação brasileira emitiu sua primeira apólice em novembro de 2021. No ano seguinte, faturou R$ 60 milhões. O valor passou para R$ 130 milhões em 2023 e R$ 260 milhões em 2024. Para 2026, a previsão é crescer entre 30% e 40% em relação a 2025.
A expansão também começou a aparecer na última linha do balanço. Depois de atingir o equilíbrio no último trimestre de 2024, a seguradora registrou lucro de R$ 13 milhões em 2025. Neste ano, espera chegar a aproximadamente R$ 20 milhões.
Segundo Astrachan, o Brasil se tornou a maior operação da Avla no início de 2025 e representa cerca de 40% dos negócios do grupo, que também está presente no Chile, Peru, México e Estados Unidos.
Agenda prioritária
À frente da seguradora brasileira, Bertolino terá como prioridade sustentar o crescimento com foco nas pequenas e médias empresas. A avaliação é que há espaço para atender clientes e corretores que encontram pouca oferta de produtos adequados às suas necessidades. “Esse pequeno possui, muitas vezes, a mesma necessidade de coberturas, de capacidades, que um grande necessita. E ele não é assistido dessa mesma forma”, afirma.
A companhia atua em seguro garantia, seguro de crédito e coberturas para riscos como incêndio, roubo e construção. Ao longo de 2026, concentrou esforços na evolução dos sistemas e no pós-venda, depois de uma expansão acelerada das vendas. O objetivo, segundo Bertolino, é preparar a operação para os próximos anos.
Aquisições também estão no radar. O novo CEO afirma que a Avla analisou oportunidades no mercado brasileiro em 2026 e continua acompanhando possíveis negócios. A disposição para comprar vem acompanhada de cautela. Com a operação crescendo organicamente, o grupo quer avaliar com cuidado os ativos que poderia incorporar.
‘Perguntas frequentes’
Quanto a Avla pretende investir na operação de resseguros? +
A Avla pretende reunir US$ 150 milhões de capital nos próximos 12 a 18 meses. Os recursos virão dos atuais acionistas e da geração de caixa do grupo, segundo Felippe Astrachan.
O que muda na operação da AVLA RE? +
A AVLA RE deixará de atender apenas às companhias do próprio grupo para oferecer resseguros a outras seguradoras, a princípio na América Latina. Segundo Felippe Astrachan, a operação já existe, é lucrativa e terá capital e estrutura separados da seguradora.
Quem comandará a expansão da AVLA RE? +
Felippe Astrachan deixará a presidência da seguradora brasileira para liderar a nova frente global de resseguros. Embora a estrutura da AVLA RE esteja sediada fora do país, a liderança ficará no Brasil.
Quem será o novo presidente da Avla no Brasil? +
André Luiz Bertolino assumirá a presidência da seguradora brasileira. O executivo, que participou da construção da operação no país, terá como prioridade sustentar o crescimento com foco nas pequenas e médias empresas.
Quanto a Avla pretende faturar no Brasil em 2026? +
A operação brasileira deve alcançar aproximadamente R$ 750 milhões de faturamento em 2026, com crescimento previsto entre 30% e 40% sobre 2025. Segundo Felippe Astrachan, o Brasil representa cerca de 40% dos negócios do grupo.
A Avla pretende fazer aquisições no Brasil? +
Sim. Segundo André Luiz Bertolino, a Avla analisou oportunidades no mercado brasileiro em 2026 e continua a acompanhar possíveis negócios, mas pretende avaliar com cautela os ativos diante do crescimento orgânico da operação.

