O crescimento da frota de veículos elétricos no Brasil tem levado cada vez mais condomínios a instalar pontos de recarga em suas garagens. Ao mesmo tempo, casos recentes de incêndios envolvendo baterias e sistemas de carregamento despertaram dúvidas entre síndicos e moradores sobre a proteção oferecida pelo seguro condominial e as medidas necessárias para reduzir riscos.
De acordo com José Nilson Teixeira, corretor de seguros da Nilseg Corretora de Seguros, o seguro condominial, em regra, pode cobrir incêndios provocados por veículos elétricos ou por carregadores instalados nas garagens, desde que a cobertura para incêndio esteja prevista na apólice e não existam exclusões específicas para esse tipo de ocorrência.
“O seguro pode cobrir esse tipo de incêndio, mas cada caso é analisado individualmente pela seguradora. A perícia técnica identifica a origem do incêndio e verifica se todas as condições previstas no contrato foram atendidas”, explica.
Segundo o especialista, em muitos episódios registrados recentemente, o problema não esteve necessariamente no veículo elétrico, mas em instalações elétricas inadequadas, equipamentos sem certificação ou sistemas de recarga executados fora das normas técnicas.
“Por isso, é fundamental que toda a infraestrutura destinada ao carregamento seja projetada e instalada por profissionais habilitados, seguindo as normas da ABNT e às orientações das concessionárias de energia”, destaca.
Outro ponto que merece atenção, segundo Teixeira, é o carregamento de baterias removíveis de motocicletas, bicicletas e patinetes elétricos.
“Independentemente do local onde a recarga é realizada, é recomendável que o condomínio estabeleça regras claras em seu regulamento interno para disciplinar o uso desses equipamentos. A prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir riscos e preservar a segurança dos moradores”, afirma.
Antes de instalar pontos de recarga, o primeiro passo deve ser avaliar se a estrutura elétrica do condomínio suporta o aumento da demanda de energia.
“Muitos edifícios foram projetados em uma época em que não existia essa necessidade. Um engenheiro eletricista deve avaliar a capacidade da rede antes de qualquer instalação”, orienta.
Além da análise técnica, o especialista recomenda que sejam utilizados equipamentos certificados, dispositivos de proteção contra sobrecarga e curto-circuito, aterramento adequado e que toda a estrutura passe por manutenção preventiva periódica.
Também é importante que o condomínio estabeleça regras para instalação, utilização e manutenção dos carregadores, definindo responsabilidades e procedimentos para garantir a segurança coletiva.
Em caso de incêndio, a responsabilidade dependerá da conclusão da perícia técnica.
“Se a investigação apontar falhas na infraestrutura elétrica do condomínio, poderá haver responsabilidade da administração. Se a origem estiver relacionada a modificações irregulares feitas pelo proprietário do veículo, ao uso de equipamentos inadequados ou ao descumprimento das normas técnicas e das regras internas, a responsabilidade poderá ser do morador”, explica.
Nessas situações, a seguradora indenizará os prejuízos previstos na apólice, respeitando seus limites e condições contratuais. Posteriormente, caso seja identificado um responsável pelo sinistro, poderá exercer o direito de regresso para buscar o ressarcimento dos valores pagos.
Além do seguro condominial, Teixeira recomenda que cada morador avalie, junto ao corretor de seguros, a contratação de um Seguro Residencial com cobertura para os bens da unidade e para Responsabilidade Civil Familiar.
“Se a perícia concluir que o incêndio teve origem em um equipamento de propriedade do morador ou em uma conduta pela qual ele seja responsável, essa cobertura pode ser importante para amparar eventuais danos causados a terceiros, sempre dentro dos limites da apólice”, observa.
O avanço da mobilidade elétrica também vem provocando mudanças na forma como condomínios administram seus riscos. Segundo o corretor, síndicos e administradoras têm revisado suas apólices com mais frequência para verificar se os limites de cobertura continuam compatíveis com a nova realidade, além de investir em inspeções elétricas, atualização da infraestrutura e programas de prevenção.
“O seguro continua sendo um dos principais instrumentos de proteção patrimonial, mas sua eficácia depende de uma gestão preventiva eficiente e de uma análise periódica dos riscos existentes”, afirma.
Para o especialista, os veículos elétricos representam uma evolução natural da mobilidade e não devem ser encarados como um fator de insegurança. O diferencial está na adoção de infraestrutura adequada, instalações executadas conforme as normas técnicas e um programa consistente de gerenciamento de riscos.
Nesse cenário, o corretor de seguros assume um papel estratégico ao orientar síndicos, administradoras e moradores sobre a adequação das coberturas, identificar possíveis lacunas de proteção e recomendar soluções compatíveis com a realidade de cada condomínio.
“A verdadeira proteção não começa no momento do sinistro. Ela começa na prevenção, no gerenciamento de riscos e na orientação de um corretor de seguros qualificado, capaz de identificar as necessidades específicas de cada condomínio e oferecer soluções para proteger o patrimônio, os moradores e a administração”, conclui o executivo.
Em caso de pane em veículo elétrico, o seguro do condomínio cobre os prejuízos?

