Notícias | 30 de março de 2026 | Fonte: EXTRA

Conheça o caso da Ferrari icônica que foi enterrada num quintal em golpe para recebimento de seguro

Ferrari Dino 246 foi enterrada num quintal como manobra para fraudar seguro em 1974 — Foto: Reprodução

Carros de luxo como vários modelos de Ferrari — especialmente os mais raros — são objetos de desejo dos mais abastados. Entretanto, em outubro de 1974, um “homem comum” adquiriu um exemplar de uma potente máquina italiana. O mecânico Rosendo Cruz, da cidade de Alhambra (Califórnia, EUA), comprou um modelo novinho da Ferrari Dino 246 GTS. Todas as economias do homem, simples e desconhecido, foram destinadas para a compra do carro, que seria um presente para a esposa.

À época, o carro valia cerca de US$ 18 mil (R$ 604 mil, em valores atuais corrigidos) e era um modelo de entrada da marca italiana. A Ferrari, com um então inédito motor V6 de 2,4 litros, foi encomendada por uma concessária em Reno (Nevada, EUA), e comprada por Rosendo duas semanas depois de sair da Itália e chegar aos EUA. O ano de 1974 foi o último de fabricação da Ferrari Dino 246, detalhe importante que torna o carro ainda mais raro nos dias de hoje.

A demonstração de amor parece não ter agradado tanto. A experiência de possuir uma Ferrari, idem. Dois meses depois de comprar o veículo, Rosendo bolou um plano para se livrar do carro e embolsar um seguro gordo de US$ 22,5 mil (R$ 739 mil, em valores corrigidos para 2026).

O plano era simples: contratar dois ladrões, que roubariam o carro e o jogariam no mar completamente desmontado num ferro-velho. Rosendo contaria uma “história triste” para a polícia e ganharia uma bolada, fraudando o seguro e recuperando todo o dinheiro gasto na aquisição mal-planejada.

E assim foi feito — ou foi o que o antigo dono pensou que tinha sido feito. Numa noite em dezembro de 1974, quando Rosendo e a esposa saíam de um restaurante na comemoração do aniversário de casamento, contaram que a Ferrari tinha sido “roubada”. A polícia foi acionada e, claro, o seguro também.

Acontece que, quatro anos depois, em 1978, depois do arquivamento do caso, o carro foi encontrado. Ele não estava no mar, nem completamente desmontado. A Ferrari histórica tinha sido enterrada num quintal na região de West Athens, em Los Angeles (Califórnia), e foi encontrada, sem querer, por duas crianças que brincavam na terra.

A descoberta inusitada só foi possível porque os “ladrões” contratados por Rosendo, reconhecendo o valor da máquina italiana, decidiram esconder o carro para pegá-lo depois do acionamento do seguro. Só que eles nunca voltaram de verdade. Não se sabe se desistiram da ideia ou se algo aconteceeu com eles. O que se sabe é que a Ferrari Dino 246 foi encontrada “envelopada” em plástico, com jornais cobrindo compartimentos de entrada de ar e “num estado supreendentemente bom”, considerando a umidade e o tempo que passou soterrada, segundo reportagem do “Los Angeles Times” à época.

Quando a polícia atendeu ao chamado das crianças, a história ganhou força novamente no noticiário e o veículo, agora famoso, foi primeiro levado à seguradora Farmers Insurance, que guardou o veículo num depósito e abriu leilão. No entanto, ladrões entraram no local e levaram vários componentes da Ferrari.

Mesmo assim, a Ferrari acabou adquirida pelo californiano Brad Howard, acionista do mercado imobiliário e apaixonado por carros. Ele recuperou toda a “autoestima” do veículo soterrado que, nas suas mãos, ganhou cara de novo em folha, como se tivesse acabado de sair da concessionária e não de sete palmos abaixo da terra.

Em entrevistas, Brad contou que se esforçou para realmente restaurar a Ferrari fazendo jus à toda a sua originalidade. Bancos de couro, cor original verde-metalizada e até pneus idênticos, que de acordo com o novo dono, custaram US$ 5 mil (R$ 26 mil) cada um.

Hoje a Ferrari, batizada de “dug up” (tem placa personalizada com a expressão) ou “desenterrada”, em português, desfila por eventos automobilísticos nos EUA e ainda chama a atenção pela história curiosa e pela recuperação perfeita.

Condenado à prisão

Após a investigação policial que se seguiu à descoberta do carro enterrado em 1978, ficou provado que Rosendo orquestrou o crime. Ele foi condenado e cumpriu uma pena de 6 meses de prisão por fraude de seguro. Como ele já havia recebido o valor integral do seguro, a Farmers Insurance Group tomou a posse legal do veículo assim que ele foi desenterrado.

Os ladrões contratados por Rosendo nunca foram oficialmente identificados ou capturados pela polícia. Embora o caso tenha sido encerrado e Rosendo tenha cumprido pena, o destino exato dos executores do “roubo” permanece um grande mistério da história automotiva.

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