Notícias | 19 de abril de 2021

Compra da Willis pela Aon por US$ 30 bilhões esbarra em ação de defesa a concorrência

A Agência Reuters divulgou, com exclusividade, que a oferta da ordem de US$ 30 bilhões feita pela Aon para a compra da Willis Towers Watson esbarra em uma ação antitruste na União Europeia. Citando fontes “familiarizadas com o assunto”, a agência informou que essa barreira poderá ser ultrapassada com concessões que deverão ser feitas pelo grupo comprador. Contudo, isso não deverá ocorrer a curto prazo, o que inviabiliza o objetivo da Aon de fechar o negócio no primeiro semestre deste ano.

A investigação sobre o acordo foi suspensa pela Comissão Europeia no mês passado, a espera de informações solicitadas à Aon.

As autoridades temem que o negócio possa elevar os preços dos seguros e conter a inovação no mercado.

A União Europeia teria recomendado, inclusive, que o negócio de resseguro de Willis fosse desfeito, proposta recusada pela Aon. Além disso, as autoridades podem sugerir que as empresas vendam a coordenação global de benefícios de funcionários e serviços de consultoria.

A Comissão ainda elabora uma declaração de objeções, que vai estabelecer possíveis danos competitivos.

As empresas têm cerca de duas semanas para responder e podem solicitar uma audiência a portas fechadas.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Aon poderia evitar essa folha de encargos oferecendo concessões para atender às preocupações dos reguladores. A empresa esteve em discussões informais sobre concessões, mas não fez uma oferta oficial até o momento, disseram as pessoas.

O acordo entre a Aon e a Willis foi anunciado há um ano. A compra cria a maior corretora de seguros do mundo, superando a atual líder desse segmento, a Marsh & McLennan.

Esse negócio segue tendência registrada no setor de seguros, que enfrenta uma onda de consolidação desencadeada pela queda das avaliações, empresas que buscam impulsionar seus modelos de negócios, aumentar as reivindicações relacionadas ao COVID-19 e outros desafios, como as mudanças climáticas.

O acordo também preocupa reguladores australianos, que temem reflexos na concorrência em riscos comerciais, resseguros e benefícios de funcionários e serviços de consultoria naquele país.

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