Notícias | 31 de março de 2026 | Fonte: CQCS l Ana Mello

Cobertura básica não garante proteção total em incêndio com prejuízo milionário

Reprodução: Redes Sociais

O incêndio em um carro elétrico, cujo modelo não foi divulgado, que causou prejuízo de quase R$ 1 milhão em um condomínio em Teresina (PI), aprofunda o alerta já feito anteriormente pelo CQCS sobre os riscos envolvendo danos a terceiros no seguro e reforça a importância da cobertura de Responsabilidade Civil Garagista (RC Garagista) nesses casos. Em reportagem sobre o episódio, o portal destacou que esse tipo de sinistro vai além da cobertura do seguro auto e envolve uma série de responsabilidades. O caso segue em evidência e reforça a necessidade de atenção a riscos ainda pouco explorados nas apólices, especialmente quando o evento envolve garagens, estrutura condominial e prejuízos coletivos.

Especialistas ouvidos pelo CQCS destacam que, embora o seguro auto costume garantir a indenização do bem segurado, ele não resolve sozinho todas as consequências do evento, principalmente quando há prejuízos coletivos. Nesse cenário, a cobertura de Responsabilidade Civil Garagista passa a ter papel central.

Segundo Sérgio Ricardo, sócio e consultor de treinamento na Gravitas AP, a cobertura básica do seguro condominial garante danos causados por incêndio, independentemente do local de origem. “A cobertura básica garante perdas e danos materiais causados por incêndio, sem distinção do local de origem”, explica.

No entanto, ele alerta que essa proteção não se estende automaticamente aos veículos. “Os seguros de condomínio, nas suas condições gerais, excluem veículos. Isso só é revertido quando há contratação da cobertura de RC Garagista, que passa a cobrir danos causados por incêndios, roubos e outros eventos dentro da garagem”, destaca.

Na prática, isso significa que, em um cenário como o ocorrido, veículos atingidos pelas chamas podem ficar sem cobertura caso o condomínio não tenha contratado essa garantia específica.

Para o especialista, esse é um dos principais pontos de atenção do mercado. “A cobertura de RC Garagista não é barata, mas é essencial. Em um incêndio, vários veículos podem ser atingidos ao mesmo tempo, gerando prejuízos elevados. Ainda assim, muitos síndicos contratam limites baixos ou deixam de contratar”, alerta.

Além disso, o caso também evidencia a complexidade na definição de responsabilidades. De acordo com Fernando Cesar, proprietário da Zeveseg Corretora de Seguros Ltda, diversos fatores precisam ser analisados. “São muitas variáveis para identificar o responsável. É preciso entender quem fez a instalação elétrica, se houve projeto técnico e o que prevê o regulamento do condomínio”, afirma.

Ele explica que, dependendo da situação, a responsabilidade pode ser compartilhada. “Se foi o morador quem providenciou a estrutura, com anuência do condomínio, os dois podem responder pelo prejuízo”, diz.

Esse cenário amplia ainda mais os riscos envolvidos, já que uma eventual falha na instalação pode gerar impactos que vão além do veículo de origem, atingindo outros bens e áreas comuns, nem sempre contemplados pelas coberturas contratadas.

Outro ponto de atenção está na necessidade de atualização das regras internas dos condomínios. “A convenção e o regulamento interno precisam tratar desse tema, prevendo que a instalação seja feita com projeto técnico adequado. Isso evita problemas e até negativa de cobertura por parte da seguradora”, ressalta.

Para o corretor, também é fundamental que as apólices deixem claro como funcionam as coberturas diante desse novo cenário. “As seguradoras precisam detalhar nas condições gerais como tratam o risco de incêndio, inclusive quando envolve danos a terceiros”, pontua.

Mais do que um evento pontual, o incêndio reforça que a evolução da mobilidade elétrica traz novos desafios para o setor de seguros. O risco deixa de ser individual e passa a ter impacto coletivo, exigindo uma visão mais ampla na contratação das coberturas.

Nesse contexto, a Responsabilidade Civil Garagista ganha protagonismo e passa a ser uma das principais ferramentas para evitar prejuízos milionários. Para o corretor, o momento exige atuação ainda mais consultiva, orientando síndicos e clientes sobre possíveis lacunas e garantindo uma proteção mais completa diante de riscos que ainda estão em transformação.

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