Os fundos Advent e Bain Capital estão dispostos a arrematar a operadora de saúde Amil, uma das maiores do país, de acordo com fontes a par das negociações. As conversas em curso ainda não têm garantia de conclusão ou do formato da operação. Como antecipou o Valor e O GLOBO confirmou, os fundos estão interessados no controle da empresa, em uma modelagem na qual ela trocaria integralmente de mãos, mas continua na mesa a hipótese de manter parte da operação sob o comando de José Seripieri Filho, conhecido no mercado como Júnior.
Não é a primeira vez que estas gestoras focam suas atenções na operadora. Júnior — que fundou a Qualicorp, administradora de planos de saúde — comprou a Amil da americana UnitedHealth em 2023 e saiu vitorioso de uma disputa com o próprio Bain Capital. A transação foi avaliada à época em R$ 11 bilhões, mas a cifra incluía um passivo superior a R$ 9 bilhões.
Outras tentativas foram feitas pelas gestoras de investimento em capital privado em 2024 e, de novo, no ano passado.
Desde então, a Amil, que estava mergulhada em prejuízo, deu uma guinada. Em meados de 2024, Amil e Dasa, a gigante de laboratórios, apertaram as mãos e criaram uma joint-venture (parceria) com 25 hospitais, além de clínicas de oncologia. O novo grupo subiu ao segundo lugar no ranking dos maiores no setor hospitalar privado no país, atrás apenas da Rede D’Or.
Consolidação no setor
As finanças também se ajustaram. A Amil passou de uma receita bruta negativa de R$ 4 bilhões em 2023 para uma geração positiva de R$ 5,4 bilhões no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido da operadora foi de R$ 519,7 milhões, o que representou, porém, um recuo de quase 28% em relação à igual período do ano anterior.
— Desta vez, estão colocando grana na mesa. Não tem troca de ação, não tem “mi-mi-mi”. Isso aumenta a probabilidade de sair negócio. Ele está aberto, mas ainda não se decidiu. E as conversas são preliminares —afirmou um interlocutor frequente de Júnior à coluna Capital, que pediu para não ser identificado já que as negociações não são públicas.
Não está claro que tipo de acordo pode ser fechado, se é que ele virá. De um lado, os fundos pressionam por levar o controle da operadora. De outro, Júnior não planejaria deixar seu posto no comando da Amil. “O preço vai ser o balizador” para definir o que virá, diz um especialista do setor, destacando que tanto Júnior quanto Advent e Bain têm experiência “exitosa” no segmento.
A Bain comprou o Grupo NotreDame Intermédica em 2014. Quatro anos depois, comandou a abertura de capital da operadora em Bolsa. Até que, em 2021, deixou o negócio, momento em que a empresa de saúde fechou a fusão com a Hapvida.
As duas estão na liderança em saúde suplementar no país em número de beneficiários, sendo a Hapvida com 4,38 milhões e a NotreDame com 3,29 milhões. Na sequência, vêm Bradesco Saúde (3,27 milhões); Amil (3,10 milhões); SulAmérica (2,35 milhões) e Unimed Nacional (1,74 milhão).
Os movimentos de fusões e aquisições no segmento de serviços de saúde, com hospitais e operadoras, life sciences e farma estão subindo no Brasil. Dados compilados pela consultoria KPMG mostram que houve 115 operações em 2023. No ano seguinte foram 133 e, em 2025, 141.
Essa consolidação, explicam especialistas, é em parte impulsionada pelo envelhecimento da população do país e pela maior demanda por assistência em saúde privada. Grupos de maior porte, reunindo operações em diferentes frentes, como hospitais, laboratórios e planos de saúde, permitem estruturar um atendimento de ponta a ponta aos beneficiários, reduzindo custos e ampliando resultados. Procuradas, Amil e Advent não comentaram.

